Capítulo 9 - Flores de Pessegueiro
⚠️Aviso de conteúdo:
breve referência a uma tentativa de suicídio (de um personagem que aparece apenas uma vez)
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Por que você não falou antes, aaaaah——?!
O gigante da felicidade ergueu um martelo enorme e, num instante, esmagou Chi Xiaoduo, transformando-o num pedaço de papel fino e amassado.
Fogos de artifício explodiram dos incontáveis prédios que Chi Xiaoduo havia projetado, preenchendo o céu com uma série de explosões.
O palco dos sonhos abriu suas cortinas em um espetáculo magnífico; a luz do sol, brilhante como em “Férias em Roma”, entrou suavemente. Xiang Cheng, elegante e cortês, segurava a mão de Chi Xiaoduo na sua, enquanto com a outra mão segurava uma taça de champanhe, parado ao lado de uma fonte, oferecendo-lhe um sorriso caloroso.
Uma chuva de meteoros cortou o céu em um instante e, na superfície do mar, milhares de peixes-mola boiavam de barriga para cima, dançando graciosamente——
Xiang Cheng disse: “Você não parece bem, está se sentindo mal? Descanse um pouco.”
Chi Xiaoduo respondeu apressadamente: "Sente-se, pode se sentar; já vou ficar bem.”
Chi Xiaoduo empurrou a cadeira de rodinhas para Xiang Cheng se sentar. Seu coração batia feito louco; ele ficou encarando a planta do projeto por um tempão, mas não fazia ideia do que estava vendo. Espiou Xiang Cheng de canto de olho apenas para descobrir que ele estava lendo os livros de referência de Chi Xiaoduo enquanto estava sentado em frente à escrivaninha dele, e pensou: não pode ser, você consegue entender isso?
Chi Xiaoduo estava completamente alheio ao que o cercava; em sua mente, dois peixinhos-mola travavam uma disputa de cabo de guerra. O Peixinho-mola A o instigava a terminar logo o trabalho para poder sair para um encontro, enquanto o Peixinho-mola B argumentava que, se ele não revisasse os projetos com cuidado e o prédio desabasse, pessoas poderiam morrer. O Peixinho-mola A retrucava: O que um prédio desabando tem a ver com ele? Nosso Chi Xiaoduo cuida do sistema de drenagem, não da estrutura; na pior das hipóteses, um cano estoura e o esgoto vai vazar…
No meio desse conflito, Chi Xiaoduo conseguiu terminar de revisar os desenhos a uma velocidade que pareceu durar uma eternidade. Depois de assinar os papéis, ele disse ao grande chefe: “Estou indo embora agora! Chefe Lin!”
O chefe da equipe de hidráulica disse: “Espera aí, Xiaoduo, aproveita e me faz um favor…”
Chi Xiaoduo virou a cabeça, e uma aura assassina preencheu a sala.
O chefe imediatamente emudeceu — como uma cigarra no inverno — e respondeu: “Divirta-se na sua viagem.”
“Hehehe.” Chi Xiaoduo sorriu de forma amável.
Naquele momento, parecia que milhões de alpacas corriam alegremente no coração de Chi Xiaoduo enquanto ele passava pelo escritório como um furacão. Depois de subir no carro de Xiang Cheng e afivelar o cinto de segurança, sentiu uma leve tontura e percebeu, de repente, que o veículo de Xiang Cheng estava diferente mais uma vez. Hoje, ele estava dirigindo um Land Rover.
“O que você quer comer?”, perguntou Xiang Cheng.
“Qualquer coisa serve”, respondeu Chi Xiaoduo com um sorriso. “Escolha o seu favorito, só não precisa ser muito caro. É por minha conta, obrigado por vir me buscar.”
Xiang Cheng respondeu: “Eu não sou muito familiarizado com Guangzhou.”
Chi Xiaoduo perguntou: “Que tal comida japonesa?”
Xiang Cheng respondeu: “Pode ser.”
O carro avançou sob as luzes que se acendiam pelo caminho, virando e se misturando ao tráfego noturno da cidade. Chi Xiaoduo lembrou-se de que Xiang Cheng estava lendo as normas do sistema de abastecimento de água e esgoto em seu escritório e perguntou de repente: “Você realmente consegue entender meus livros de referência?”
“Para ser sincero, não entendo — e eu mesmo estudei engenharia civil”, disse Xiang Cheng enquanto manobrava o veículo para dentro da garagem e estacionava. “Só entrei nessa área depois de mudar de emprego.”
Chi Xiaoduo assentiu, e Xiang Cheng perguntou em seguida: “O que é um ‘Cãibrista¹’?”
Chi Xiaoduo perguntou curiosa: “Em qual equipe você trabalhava quando estava na construção civil?”
Xiang Cheng respondeu: “Na equipe de transporte de tijolos. Empurrando carrinho de mão cheio de cimento.”
Chi Xiaoduo: “……”
Chi Xiaoduo caiu na gargalhada e disse: “Pare de brincar! O pessoal da equipe de estrutura odeia eles. Um ‘mestre em extração de vergalhões’ é responsável por tirar os vergalhões que você planejou e colocou no projeto. Eles cuidam de reduzir os custos para a construtora, e assim, usando menos vergalhão, dá para baratear a obra. Mas tirar vergalhões exige muita técnica: se você sair tirando de qualquer jeito, o prédio desaba. Por isso, tem que ser alguém com muita experiência.”
Xiang Cheng assentiu; ele havia entendido.
Chi Xiaoduo o levou a um restaurante japonês onde era preciso tirar os sapatos para sentar, e o cardápio era bem simples. Quando Chi Xiaoduo viu que as meias de Xiang Cheng tinham dois furinhos e que eram de cores diferentes, ele de repente sentiu como se um trovão tivesse caído sobre a sua cabeça. No entanto, achou a situação muito engraçada; disfarçou o riso e fingiu que não tinha visto nada.
Enquanto estavam ali sentados, os pés de Chi Xiaoduo — calçados apenas com meias — tocavam ocasionalmente os de Xiang Cheng, provocando nele uma nova onda de euforia e aquele frio na barriga.
“Você é realmente incrível; vocês precisam fazer exames profissionais?” perguntou Xiang Cheng. “Você já passou neles?”
“O teste para engenheiro de abastecimento de água e drenagem de primeira classe”, respondeu Chi Xiaoduo. “Eu já fiz a prova, mas o resultado ainda não saiu. Por enquanto, só passei no exame de segunda classe, e se eu conseguir passar no de primeira classe, nem vou precisar mais trabalhar. Posso simplesmente ‘vincular’ minha licença² a uma empresa — ganharia 400 mil yuans em três anos.”
“Se não for trabalhar, o que quer fazer?” perguntou Xiang Cheng.
“Não sei, ainda não decidi”, respondeu Chi Xiaoduo. “Além disso, é uma prova muito difícil; aposto que não vou conseguir passar este ano.”
Xiang Cheng respondeu: “De início, não dava para perceber que você é alguém importante no seu departamento, com um monte de gente ao seu redor. Sua formação deve ter sido muito boa.”
Chi Xiaoduo sorriu, um tanto sem jeito, e perguntou: “E você? Que planos tem para o futuro?”
Xiang Cheng pensou por um momento antes de dizer: "Não sei. Fui enganado para vir para cá e acabar virando um acompanhante masculino. Provavelmente vou largar isso depois de um tempo. Quero voltar para a minha antiga profissão, mas, mesmo trabalhando até a exaustão, eu ganhava muito pouco, então não dava para continuar naquele emprego. Eles nem contabilizavam as horas extras, os chefes viviam criando dificuldades e arranjavam qualquer desculpa para descontar do meu salário.”
O coração de Chi Xiaoduo se encheu de emoção ao pensar: Que tal você se demitir agora mesmo e começarmos a namorar? Ele não sabia exatamente qual era o "antigo ramo de atividade" de Xiang Cheng, mas provavelmente era construção civil. Bem, a descrição dele era perfeita; um escritório de arquitetura era realmente um lugar onde você podia trabalhar até a morte e usar sua vida para trocar por um salário. Ele fazia hora extra o tempo todo e frequentemente enfrentava dificuldades e tinha o salário reduzido.
Porém, Xiang Cheng deu outro suspiro e disse: “No começo deste ano, pensei em esquecer tudo do passado, mudar de vida e recomeçar do zero, mas ainda não consigo desapegar das coisas de antes… O que é isso? Tá cru?”
Xiang Cheng olhou com estranheza para um prato de sashimi de marisco-do-ártico. Chi Xiaoduo misturou o wasabi para ele e, com bolhas cor-de-rosa flutuando ao redor de sua cabeça, usou os hashis para dar um pedaço na boca dele. Xiang Cheng imediatamente começou a tossir enquanto se engasgava com o wasabi, a ponto de lágrimas começarem a escorrer.
Pensar que ele nunca tinha experimentado wasabi antes… Os sentimentos de Chi Xiaoduo por Xiang Cheng mudaram imediatamente.
“Tome um pouco de chá”, disse Chi Xiaoduo apressadamente.
Xiang Cheng, com uma expressão estranha, acenou com a mão; lágrimas escorriam pelo seu rosto.
“Está muito forte”, disse Xiang Cheng. “Eu sei, é wasabi.”
Chi Xiaoduo sorriu e disse: “Eu adoro a sensação do wasabi; você provavelmente nunca experimentou muito antes.”
Xiang Cheng disse: “Uma vez, um figurão me convidou para jantar. Serviram wasabi e também bebemos Lafite³. Uma garrafa custava mais de 20 mil.”
O rosto de Xiang Cheng estava banhado pela luz suave e quente. Era como se aquela única lâmpada no teto fosse a única coisa no mundo, iluminando seus cabelos e sobrancelhas — uma aparência ao mesmo tempo gentil e firme.
Chi Xiaoduo havia bebido um pouco de saquê e estava com as bochechas coradas. Algumas pessoas ficavam eufóricas depois de beber, enquanto outras não falavam absolutamente nada; Chi Xiaoduo era do tipo que ficava extremamente quieto depois de beber. Ele queria fazer um monte de perguntas, mas não conseguiu fazer nenhuma. Se os dois pudessem simplesmente continuar ali, sentados em perfeita tranquilidade, já seria o bastante.
“Qual é o seu sonho?” perguntou Xiang Cheng enquanto comia um pouco de sushi. Ele parecia ter tomado gosto pelo wasabi, só que dessa vez pegou uma quantidade menor.
O objetivo de Chi Xiaoduo era, naturalmente, tornar-se um homem alto, rico, bonito e alcançar o ápice da sua carreira, ou casar-se com um homem alto, rico e bonito e ser bem-sucedido. Claro que isso era algo que ele tinha vergonha de dizer e, depois de pensar um pouco, respondeu: “Sair para conhecer o mundo. Trabalhar é um saco; se eu pudesse simplesmente alugar meu certificado, aí eu sairia viajando pelo mundo.”
Xiang Cheng assentiu. Ele parecia um pouco mais contido no restaurante japonês, como se estivesse pensando em algo.
Chi Xiaoduo perguntou: “E você?”
“A paz mundial”, disse Xiang Cheng. “Que todos possam viver e trabalhar em paz e ter uma vida boa.”
Chi Xiaoduo caiu na gargalhada. Ele achou Xiang Cheng muito divertido e levantou sua xícara de chá para brindar com ele.
Depois de jantarem, Chi Xiaoduo saiu para pagar a conta. Xiang Cheng disse: “Estou sem dinheiro, eles ainda não pagaram o salário deste mês.”
Chi Xiaoduo disse sorrindo: “Claro que eu pago.”
Xiang Cheng também não insistiu em pagar a conta; ao sair e sentir um pouco do vento, Chi Xiaoduo acabou ficando um pouco mais sóbrio. Xiang Cheng passou todo o caminho pensativo e, ao chegarem ao posto de gasolina, tirou um grande maço de notas do bolso. Chi Xiaoduo disse rapidamente: “Deixa comigo.”
Chi Xiaoduo encheu o tanque do carro enquanto pensava em como Xiang Cheng era um verdadeiro “filhinho de papai⁴”. O trabalho dele consistia basicamente em usar sua boa aparência para ganhar a vida, conquistando a simpatia dos clientes para que eles pagassem suas contas de bom grado. Ao refletir sobre isso, Chi Xiaoduo sentiu que sua vida amorosa estava coberta por um nevoeiro de incertezas.
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À meia-noite, Xiang Cheng subiu a montanha dirigindo e deixou Chi Xiaoduo no local onde Wang Ren e seu grupo jogavam mahjong em meio a gritos e risadas; eles gritaram: “Vão pegar o quarto de vocês! Vocês dois são os últimos a chegar.”
Dito isso, Xiang Cheng e Chi Xiaoduo se instalaram no último quarto, que tinha uma cama de casal grande. Enquanto subiam a montanha, as flores de pessegueiro que cobriam as encostas pareciam dançar sob a luz dos postes. Chi Xiaoduo sentiu como se o tempo estivesse escapando por entre seus dedos; momentos tão belos haviam desaparecido num piscar de olhos.
“Quer que eu te faça uma massagem com óleo hoje à noite?” Xiang Cheng perguntou. “Deixa comigo. “
“Não, não, não”, disse Chi Xiaoduo na mesma hora. “Deixa que eu faço em você.”
Xiang Cheng tirou do bolso um maço de notas dobradas de dez yuans. Chi Xiaoduo tinha se esquecido completamente do assunto dinheiro, mas, agora que o assunto veio à tona, lembrou que havia pago a diária dos dois dias e o caução sozinho; mesmo assim, Chi Xiaoduo tomou a iniciativa de pagar a conta.
Após o check-in, Xiang Cheng não falou nada e foi direto tomar banho. Chi Xiaoduo sentou-se na cama, enlaçando os joelhos com os dedos, e soltou um suspiro no fundo do coração.
Aos olhos de Xiang Cheng, ele era exatamente igual àquelas outras clientes que o tratavam bem, que tiravam dinheiro do bolso para ele de livre e espontânea vontade, que cobriam suas despesas de alimentação e hospedagem e o levavam para se divertir.
Os sons do mahjong lá fora foram diminuindo aos poucos. Xiang Cheng saiu, enxugando o cabelo, e disse: “Pode ir tomar banho.”
Chi Xiaoduo assentiu com um “hum” e entrou no banheiro. Depois que saiu, os dois se deitaram lado a lado na cama. Xiang Cheng pressionou vários botões no controle remoto antes de soltar um suspiro.
“Por que você está suspirando?” Chi Xiaoduo perguntou, atento ao ouvir aquele suspiro quase imperceptível.
“Não é nada, vamos dormir”, disse Xiang Cheng, virando-se para o lado para apagar as luzes.
Chi Xiaoduo rolava de um lado para o outro no escuro sem conseguir dormir, pensando: se eu esticar a mão agora para tocar no Xiang Cheng e segurar a mão dele, será que ele vai me rejeitar? Ou vai dizer: “Quatrocentos por um lanche? Deixe-me lhe entregar um comprovante primeiro”?
“Xiang Cheng.”
“Hm?”
“Você conhece o Qiqi?” Chi Xiaoduo perguntou na escuridão.
“Qiqi?” Xiang Cheng perguntou, sem entender.
“Qi Wei.” Chi Xiaoduo disse o nome dele. Qiqi era o primo mais velho da sua melhor amiga.
Xiang Cheng perguntou com cautela: “Como você sabe que eu conheço ele?”
“Hum…”, disse Chi Xiaoduo. “Eu sou muito amigo da prima dele, e a prima dele disse que você era muito bonito. O Qiqi também é um dos seus clientes?”
“Não.”
“Ah——” Chi Xiaoduo queria perguntar como eles haviam se conhecido, mas continuar perguntando daquela forma parecia que ele estava tentando interrogá-lo sobre a sua vida pessoal. No entanto, depois de um tempo, Xiang Cheng disse uma frase que quase fez Chi Xiaoduo cair da cama.
Xiang Cheng: “Ele é meu colega de trabalho.”
Chi Xiaoduo: “……”
Na mente de Chi Xiaoduo, surgiu a imagem de Qiqi, de terno, brincando com um grupo de patos, como um acompanhante masculino. Sua alma imediatamente deixou seu corpo.
“Vocês dois… trabalhavam no mesmo clube antes?” Chi Xiaoduo perguntou delicadamente.
“Não, não.” Xiang Cheng percebeu imediatamente o duplo sentido daquela frase e explicou: “Na minha antiga área de trabalho.”
“Aaaah——”, disse Chi Xiaoduo, mas ele não conseguiu entender direito e perguntou: “Construção civil? Vocês carregavam tijolo juntos?”
Xiang Cheng não respondeu, mudando de assunto. “Meu celular quebrou, e eu tenho o número dele. Ligo para ele quando voltarmos.”
“Não precisa”, respondeu Chi Xiaoduo, finalmente respirando aliviado.
Chi Xiaoduo sabia que suas intenções ocultas com certeza tinham sido descobertas, e se sentiu bastante sem jeito. Um instante depois, estendeu a mão para tatear a palma quente e larga de Xiang Cheng, antes de colocar a sua na palma dele.
Afinal de contas, eu já paguei a conta mesmo, dar a mão não mata ninguém, né?, pensou Chi Xiaoduo enquanto adivinhava o que Xiang Cheng diria, ele acariciou seus dedos. Mas Xiang Cheng não disse absolutamente nada; em vez disso, envolveu a palma de Chi Xiaoduo com a sua mão.
Chi Xiaoduo sentiu que havia reagido àquele gesto, e seu coração disparou. Aproveitando a brecha, ele perguntou: “Posso te abraçar?”
Xiang Cheng abriu os braços generosamente, puxando Chi Xiaoduo para o seu abraço. Ele estava usando um pijama de algodão, e seu peito era muito quente; Chi Xiaoduo apoiou a cabeça no braço de Xiang Cheng. Como tinha bebido saquê à noite e depois pego vento, ele sentia uma leve dor de cabeça; não queria fazer mais nada — só queria continuar ali, sendo abraçado daquela forma.
“Preciso pagar pelo abraço?” Chi Xiaoduo perguntou, divertido.
Xiang Cheng respondeu com bom humor: “Se fossem outras pessoas, teriam que pagar, mas para o didi é de graça.”
Chi Xiaoduo começou a sorrir.
O silêncio reinou no quarto; um instante depois, Xiang Cheng falou novamente: “Não deixo qualquer um me abraçar, depende do meu humor.”
“Hm, o Wang Ren me contou isso”, respondeu Chi Xiaoduo.
Xiang Cheng continuou: “O David disse que, mesmo tendo que ser um garoto de programa, eu ainda quero manter a minha reputação limpa.”
Chi Xiaoduo riu, mas logo se sentiu um pouco envergonhado. “Devo ter atrapalhado seu trabalho nesses últimos dias, não é?”
“Tenho alguns assuntos para resolver no Monte Lianhua”, respondeu Xiang Cheng.
“Alguns assuntos?” Chi Xiaoduo perguntou.
“Uma viagem de negócios”, respondeu Xiang Cheng.
Negócios… viagem de negócios??? Para fazer companhia a um cliente? Chi Xiaoduo achou aquilo bastante inexplicável. Seria uma massagem com óleo? Ele não insistiu com perguntas, mas Xiang Cheng percebeu que Chi Xiaoduo estava tremendo um pouco.
“Está com frio? O edredom é muito fino?”
“Hum… não, não.” Chi Xiaoduo estava aninhado nos braços de Xiang Cheng; a emoção era tanta que ele tremia. Aos poucos, o sono começou a chegar, mas ele não queria dormir. A sensação era tão boa… Seria maravilhoso se o tempo pudesse parar naquele instante. Que se dane a viagem de negócios; tudo isso podia ir para o inferno.
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Chi Xiaoduo foi pegando no sono aos poucos. No meio da noite, ouviu alguns ruídos discretos, mas as pálpebras pesavam tanto de cansaço que nem conseguia abrir os olhos. Esticou a mão para o lado para tatear a cama, mas Xiang Cheng não estava mais lá. Chi Xiaoduo acordou assustado com aquilo e se sentou na cama, e olhou ao redor.
“Xiang Cheng?” Chi Xiaoduo chamou.
O quarto estava escuro, com apenas um pouco de luz vindo de fora. Chi Xiaoduo levantou-se e olhou para o celular, que marcava 2h25.
Chi Xiaoduo não acendeu a luz. Ele abriu a janela da pousada e espiou para fora, apenas para encontrar um pedaço de papel colado nela. Pensou que fosse uma mensagem de Xiang Cheng, mas, ao retirá-lo e examiná-lo, viu o caractere “Xiang” (项) escrito ali, preso por uma pequena estatueta dourada de proteção contra o mal.
Chi Xiaoduo: “???”
Era um pedaço de pergaminho amarelado. Chi Xiaoduo dobrou-o cuidadosamente e guardou-o no bolso, junto com a estatueta de proteção contra o mal. Ao mesmo tempo, ouviu o som de um veículo do lado de fora; não parecia estar muito longe. Para onde Xiang Cheng teria ido? Chi Xiaoduo lembrou-se, de repente, de que estava ali a trabalho. Será que ele havia saído no meio da noite para acompanhar um cliente?
Chi Xiaoduo saiu na ponta dos pés, esforçando-se ao máximo para não fazer barulho dentro da cabana de madeira. Usou a lanterna do celular para iluminar o caminho; uma rajada de vento passou, fazendo-o sentir um leve arrepio.
Aaaaaahhh… que medo. Sem saber o porquê, os pelos da sua nuca se arrepiaram. Ele espiou no quintal e viu um ponto de luz ao longe. Parecia o farol de um carro, então começou a andar naquela direção.
Escondido atrás de um pessegueiro, ele viu um jipe Mitsubishi com os faróis acesos.
Os faróis se apagaram e um homem saiu do veículo; Xiang Cheng estava parado bem em frente ao carro.
“Dane-se o que eles acham”, disse Xiang Cheng. “Salvar vidas é a prioridade. Se deixarmos essa coisa solta, ela vai matar ainda mais gente. Já descobriram a verdade por trás do acidente de carro?”
A voz do homem respondeu: “O homem envolvido no incidente havia aberto o próprio negócio e mantinha uma amante. A esposa dele, por sabe-se lá qual meio, gastou uma grande quantia de dinheiro para ferrar com eles. Quando fez o pedido, talvez tenha usado as palavras erradas, mas o guiche* se aproveitou dessa ganância humana dela. Isso a levou a assassinar tanto o marido quanto a amante. Agora a esposa está tentando cometer suicídio.”
(n/t: 鬼车 (Guǐchē) Traduz como Carro Fantasma)
“Como ela gastou essa quantia alta? Como ela queria ferrar com eles?”, perguntou Xiang Cheng em seguida.
“Não posso te informar isso”, respondeu o homem. “A Associação tem os registros, mas seu nível de acesso não permite consultar.”
Xiang Cheng ficou em silêncio, e a ponta vermelha do seu cigarro brilhou na escuridão.
Chi Xiaoduo deduziu a situação superficialmente: alguém devia ter contratado capangas da máfia para matar pessoas, e agora o assassino estava escondido na montanha; eles queriam que Xiang Cheng fosse lá resolver o problema. Mas Xiang Cheng estava indo completamente sozinho, será que daria conta? Não seria melhor chamar a polícia? Xiang Cheng não disse nada, apenas virou-se para ir embora. O homem perguntou: “Quer que eu chame reforços?”
“Não precisa”, respondeu Xiang Cheng. “Ele sabe que eu vou, e se você chamar gente demais, não vai ter graça.”
Enquanto dizia isso, Xiang Cheng começou a caminhar em direção ao acostamento. O homem assobiou uma vez e disse: “Você começou a namorar alguém?”
Xiang Cheng: “???”
O homem continuou: “Quem era aquele garoto daquele dia?”
“Meu didi”, respondeu Xiang Cheng.
“Por que não me lembro de você ter um didi? Mas só para te avisar: seu didi tem qi yao nele, como se tivesse sido marcado por alguma coisa.”
Ainda sorrindo, o homem subiu na scooter elétrica e deu a partida.
Xiang Cheng: “Descobri isso há uma semana; venho observando há um bom tempo. Não parece que foi o guiche que veio atrás dele.”
Todos os pelos do corpo de Chi Xiaoduo pareceram se arrepiarem instantaneamente com aquilo.
O homem disse: “Não é o guiche. A Associação acha que é um superior do guiche. Eles não sabem como isso o encontrou. Vou indo nessa, bom trabalho.”
Xiang Cheng: “Espere! Velho Kuang!”
O homem acelerou sua scooter elétrica em velocidade alucinante; como estava descendo a montanha, ele desapareceu num piscar de olhos. Xiang Cheng correu atrás dele por alguns passos antes de jogar a bituca de cigarro de lado, permanecendo ali por um momento, frustrado e ansioso. Em seguida, virou-se e caminhou em direção à árvore atrás da qual Chi Xiaoduo estava escondido. Chi Xiaoduo tentou fugir, mas Xiang Cheng surgiu como um fantasma bem atrás dele.
Bem quando Chi Xiaoduo estava prestes a gritar, Xiang Cheng tapou sua boca, abafando o som de sua voz.
“Eu disse para você não sair”, Xiang Cheng falou em voz baixa, com as sobrancelhas profundamente franzidas.
“Hmph, hmph, hmph…” Os olhos de Chi Xiaoduo se moviam de um lado para o outro, até que suas pupilas brilhantes e vivas se fixaram em Xiang Cheng. Xiang Cheng estava a ponto de explodir de raiva por causa de Chi Xiaoduo e acabou soltando-o.
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Notas:
1 抽筋师 (Chōujīn shī) Xiang Cheng leu a palavra chōujīn (抽筋 - cãibra), no contexto de construção civil (chōujīn também é gíria/termo técnico para “passar a fiação” ou “amarrar ferragens/vergalhões”).
2 挂靠 (Guàkào) É uma prática comum na China (embora regulamentada/regulada estritamente) em que um profissional registra sua licença/diploma em uma empresa sem trabalhar lá de fato, apenas para que a empresa cumpra requisitos legais de qualificação, recebendo uma anuidade por isso.
3 拉菲 (Lāfēi) Refere-se ao famoso vinho francês Château Lafite Rothschild, um símbolo clássico de ostentação e status na China.
4 少爷 (Shàoye) Embora shàoye signifique originalmente “jovem mestre/herdeiro”, na gíria moderna da vida noturna e do entretenimento adulto chinês é o termo usado para acompanhantes masculinos em boates e clubes.
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Flor: Xiang Cheng só enfrenta perrengue~~ Eu ainda não decidi se vou postar a cada semana ou a cada 15 dias~ Então por enquanto fica esporádico Até mais!
𓇼⋆.˚𓆉𓆝𓆡⋆.˚𓇼
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