Extra Livro Tradicional: Qinglu
⚠️Aviso de conteúdo indecente:
Obscenidades explícitas em quase todo o capítulo!
Por favor, se hidratem durante o capítulo!
N/T: Este extra foi publicado em 2023 na plataforma da JJWXC com censura, mas devido a publicação da versão física tradicional de Hong Kong pela Jia Fei (creio que foi na mesma época), trago a vocês a versão sem censura dela!
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O vento que havia parado de soprar começou a soprar novamente, fazendo as bandeirolas ao longe flutuarem, guiando-os através das montanhas e dos mares até aquele pequeno qinglu.
No instante em que Chen Xing avistou o qinglu, não pôde deixar de se sentir nervoso.
Era outono, e o céu de Chi Le Chuan estava claro como se tivesse sido lavado. Ao longe, as montanhas nevadas exibiam um branco imaculado, intocado por qualquer poeira. Sob os picos nevados, estendiam-se planícies férteis por milhares de li. Ao lado de um bosque de bordos, junto ao riacho, foram montadas tendas retangulares, e inúmeras tiras de tecido azul-escuro ondulavam à brisa do outono.
Xiang Shu saltou primeiro do cavalo, enquanto Chen Xing permaneceu montado, balançando de leve enquanto era conduzido por ele até a frente da tenda.
Essa era a lendária cerimônia de casamento no qinglu? O coração de Chen Xing disparou. Ele disse: “Espere, nós… nós vamos ficar aqui?”
Xiang Shu lançou um olhar para Chen Xing, mas não respondeu.
Chen Xing perguntou: “Vamos ficar aqui por três meses? E quanto a lavar roupa e coisas do tipo?”
Xiang Shu: “No qinglu, não há necessidade de roupas.”
Chen Xing: “……”
“Mas também não podemos ficar sem tomar banho!” Chen Xing disse. “E a comida?”
“Tem uma fonte termal atrás da tenda”, respondeu Xiang Shu, impaciente. “Alguém virá entregar comida regularmente.”
Chen Xing continuava em cima do cavalo, sem a menor vontade de descer. Xiang Shu esperou por um bom tempo, mas não o apressou; apenas ficou ali, aguardando em silêncio.
Por fim, um rubor se espalhou pelo rosto de Chen Xing em um raro momento de timidez; felizmente, Xiang Shu também não olhou diretamente para ele. De repente, a expressão de Xiang Shu chamou a atenção de Chen Xing, que observou com curiosidade o perfil dele — e, para sua surpresa, Xiang Shu também parecia nervoso!
Chen Xing caiu na gargalhada. Como um jovem, o tom avermelhado no rosto de Xiang Shu começou a sumir enquanto ele dizia, um tanto irritado: “Está rindo de quê?”
“Nada não!” Chen Xing, pelo contrário, sentiu que seu nervosismo havia sumido por completo e decidiu tomar a iniciativa. No entanto, quando estava prestes a desmontar, Xiang Shu disse: “Espere.”
Xiang Shu segurou as rédeas, impedindo que Chen Xing descesse ao chão, e começou conduzindo o cavalo por uma trilha ao lado da tenda, dando uma volta completa ao redor do qinglu. Observando o qinglu, Chen Xing lembrou-se de algo que havia lido no Sul sobre os costumes de Chi Le Chuan: os povos de Saiwai não eram proibidos de experimentar o casamento antes da união formal. Se desse certo, eles se casavam; se não, separavam-se amigavelmente¹. Sempre que chegava o Festival do Final do Outono ou do Meio da Primavera, todos gostavam de se reunir ao ar livre em busca da pessoa com quem se casariam.
Isso também fazia com que, após o casamento, a linhagem dos filhos se tornasse confusa, e era fácil acabar criando, sem saber, o filho de outra pessoa. Com o tempo, portanto, foi-se desenvolvendo em Chi Le Chuan o costume nupcial de que, após a união do casal, o casal passaria três meses no qinglu — assim, não haveria qualquer dúvida quanto ao direito de herança dos filhos. Só que, com o passar dos anos e das gerações, o povo de Saiwai foi aos poucos se esquecendo da razão original e passou a considerar o qinglu como uma espécie de “Lua de Mel”.
Mas eu nem sequer posso engravidar… Enquanto Chen Xing se perdia em pensamentos, Xiang Shu já havia dado uma volta completa com o cavalo. Naquele momento, ele não tinha nada da imponência do antigo Grande Chanyu de além da Grande Muralha; parecia apenas o mais comum dos caçadores ou viajantes de Chi Le Chuan, conduzindo um cavalo que levava, sobre a sela, o seu amado. Aquilo era o seu mundo inteiro.
Ao chegarem à tenda, diante deles se estendia um caminho reto que conduzia às montanhas no fim da estrada.
“Desça.” Xiang Shu tirou Chen Xing do cavalo, sem deixá-lo tocar o chão, e, segurando-o nos braços, ajoelhou-se de frente para as montanhas.
“Xiang Shu trouxe Chen Xing até aqui”, disse Xiang Shu com seriedade. “Diante do qinglu, trocamos nossos votos, rogando sinceramente ao Céu e à Terra, e às Montanhas Yin, que nos abençoe, para que possamos envelhecer juntos e permanecer juntos por toda a vida.”
Chen Xing olhava fixamente para a expressão séria de Xiang Shu, quando, de repente, um sentimento de profunda emoção brotou em seu coração.
Xiang Shu finalmente lançou um olhar para Chen Xing, e os dois não conseguiram conter o riso.
“Já está feito?” Chen Xing perguntou.
Xiang Shu, com um leve sorriso nos lábios, pegou Chen Xing no colo e o levou até a tenda. Pisando sobre as pétalas de flores caídas espalhadas na entrada, disse: “Levante a cortina.”
Então, Chen Xing levantou a cortina do qinglu.
“Uau!” Chen Xing exclamou, incapaz de conter sua admiração.
Esta era a primeira vez que ele entrava em um quarto nupcial de Saiwai. Comparado aos quartos solenes e luxuosos dos casamentos no Sul, o quarto nupcial dos Tiele era mais aconchegante e acolhedor. O interior do qinglu era forrado com tapetes de feltro espessos; no centro havia uma fogueira e, a um canto, utensílios para preparar chá. Dentro da tenda, erguia-se uma cama baixa, e havia também suportes de espelho de ébano e outros adornos. Um biombo separava a parte interna da externa e, embora fosse apenas uma tenda montada ao lado de um bosque de bordos, o interior contava com todas as comodidades necessárias.
Só então Xiang Shu colocou Chen Xing no chão. Chen Xing logo abriu a cortina do outro lado, que dava para a fonte termal junto ao bosque de bordos. Como um cachorrinho animado, Chen Xing pôs-se a explorar cada canto do seu novo lar. Quando terminou de dar sua volta e retornou, Xiang Shu já havia desamarrado o cinto de seu manto e estava sentado diante da fogueira, bebendo chá.
No norte, o outono já trazia consigo um ar frio, que se intensificava ainda mais à noite, mas dentro do qinglu era muito aconchegante.
“Terminou de olhar?” Xiang Shu perguntou, como se estivesse deliberadamente evitando apressar Chen Xing, permitindo que ele se acostumasse primeiro.
Chen Xing sentiu-se um pouco sem jeito por um instante, depois disse: “Deixa eu preparar o chá para você? Está bem quentinho aqui dentro.”
Xiang Shu lançou um olhar para Chen Xing, examinando suas vestes de cima a baixo, como quem diz: não está na hora de tirar a roupa?
“A regra ao entrar no qinglu é ficar completamente nu”, disse Xiang Shu. “É natural que o interior da tenda seja aquecido.”
Chen Xing engoliu em seco. Por três meses inteiros, os dois teriam que ficar ali como animais, um diante do outro, inteiramente nus dentro do qinglu… Só de pensar, achava a cena sedutora… não, vergonhosa! Mesmo que não houvesse mais ninguém por perto, ainda assim…
“Não foi assim também quando estávamos no mar?” Xiang Shu perguntou, finalmente perdendo a paciência.
“Aquilo… aquilo foi diferente… Waa! Espere!” Xiang Shu puxou Chen Xing para si, e Chen Xing não pôde deixar de prender a respiração.
Em instantes, o corpo nu de Chen Xing, como jade branco, estava completamente despido e exposto diante de Xiang Shu.
Xiang Shu fez um sinal para Chen Xing: agora é a sua vez.
Naquele instante, Chen Xing de repente sentiu que, naquela atmosfera, não havia o menor traço de desconforto ou malícia; pelo contrário, parecia que estavam realizando um ato sagrado e solene. Ele também estendeu as mãos, desfez o manto interno de Xiang Shu e soltou os botões laterais, revelando o seu peito. Xiang Shu então o puxou para que se levantasse e o levou até a frente do espelho de corpo inteiro. Chen Xing desamarrou o cinto dele, e Xiang Shu permitiu que as calças caíssem até os tornozelos; seu pênis já estava ereto e duro.
Tanto Chen Xing quanto Xiang Shu estavam duros e eretos, como se tivessem exposto seus próprios corações ao escrutínio um do outro. Uma vez que o desejo desperta em um jovem, torna-se impossível escondê-lo; eles simplesmente se entregavam, permitindo que o outro o observasse por inteiro.
Xiang Shu baixou o olhar para Chen Xing e, após um instante, pegou o cinto.
“O que… o que vamos fazer agora?” Chen Xing estava com a mente completamente em branco. Aquela não era a primeira vez que ele e Xiang Shu ficavam assim, mas todas as ocasiões passadas pareciam distantes; somente hoje, de fato, era a noite de núpcias deles.
“Amarrar os nossos cintos um ao outro”, disse Xiang Shu.
Chen Xing compreendeu que aquilo devia ser o equivalente ao ritual de “entrelaçar os cabelos” para o povo Tiele. Então, ele pegou os cintos que ambos haviam retirado, deu um nó e os uniu. Xiang Shu, em seguida, amarrou as roupas de ambos aos cintos e foi até o lado de fora, sinalizando para que Chen Xing não o seguisse, pois estava frio lá fora. Ele pendurou as roupas, presas pelos cintos, no ponto mais alto da tenda.
Desse modo, a vida no qinglu teve início. Chen Xing disse: “As roupas vão…”
“Alguém virá buscá-las para lavar”, disse Xiang Shu. “Pare de se preocupar com essas trivialidades…”
Viver juntos completamente nus era algo extremamente estimulante para Chen Xing, mas ele tinha que admitir: esse costume era realmente fascinante! Ver o corpo nu e perfeito do seu amado indo e vindo diante de seus olhos o tempo todo, seu primeiro pensamento foi se aproximar e fazer amor com ele. Ele sabia que Xiang Shu devia ter tido o mesmo pensamento e o havia reprimido por tempo demais —— pois, assim que Xiang Shu entrou novamente na tenda, todas as barreiras entre eles desapareceram. A única urgência do momento era se aproximar, envolver Chen Xing em seus braços e deitá-lo no chão.
“Ah…” Chen Xing tinha acabado de virar a cabeça quando Xiang Shu o virou à força, obrigando-o a olhar em seus olhos.
“Espere…”
“Esperar o quê agora?”
“É grande demais!” Chen Xing disse apressadamente. “Eu ainda não apliquei… Eu não preparei isso…”
Ele simplesmente não teve como desviar o olhar do membro de Xiang Shu. Xiang Shu o pegou no colo e passou um óleo suave nas mãos de Chen Xing; até mesmo aquilo ele havia preparado.
Em seguida, aquele pau imenso, ardente e rígido de Xiang Shu foi colocado em suas mãos. Chen Xing, ofegante, passou o óleo lentamente, e, à medida que suas mãos o acariciavam, a respiração de Xiang Shu também se tornou ofegante.
Xiang Shu sentou-se com as pernas cruzadas, e Chen Xing recostou-se em seu peito, espalhando o óleo cuidadosamente enquanto acariciava aquela vara imensa e imponente. Sob os movimentos de Chen Xing, o pau dele não parava de latejar e tremer.
Xiang Shu: “……”
“Se eu continuar acariciando assim, não vou mais conseguir parar”, disse Chen Xing com um sorriso, estendendo a mão para acariciar o rosto de Xiang Shu. Xiang Shu não se importou, deixando Chen Xing acariciar seu pescoço e ombros, espalhando uma camada de óleo brilhante sobre seu corpo nu e musculoso.
“Vem aqui”, disse Xiang Shu, fazendo Chen Xing deitar-se novamente. Se não fosse pelo nervosismo constante de Chen Xing, ele provavelmente não teria esperado nem mais um segundo. Em seguida, Chen Xing sentiu aquela coisa penetrá-lo sem qualquer hesitação.
“Ai… ai!” Mesmo já tendo se acostumado várias vezes, Chen Xing ainda sentiu um pouco de dor. Mas, naquele exato momento, Xiang Shu tornou-se inesperadamente gentil.
“Ainda dói?” Xiang Shu perguntou em voz baixa, enquanto acariciava delicadamente a cabeça de Chen Xing.
Chen Xing fechou os olhos, sentindo aquele momento de intimidade tão real entre os dois; quando os abriu novamente, viu os olhos de Xiang Shu, brilhantes como estrelas, a observá-lo com um leve nervosismo.
“Mas eu… eu gosto tanto disso…”, gemeu Chen Xing. Ele entregou seu coração a Xiang Shu com total sinceridade e, logo em seguida, envolveu o pescoço dele com os braços, depositando um beijo suave em sua orelha. Esse gesto pegou Xiang Shu imediatamente de surpresa, sua respiração falhou, despertando em seu íntimo os desejos mais dominantes e selvagens. Agora, ele só queria possuir Chen Xing com toda a sua força.
Contudo, Xiang Shu não ousou exercer muita força e, por isso, precisou empregar sua determinação mais firme para começar a se mover com toda a suavidade que conseguia. Conforme os gemidos contidos de Chen Xing ecoavam, o corpo de Xiang Shu tornou-se ainda mais ardente.
Os povos de além da Grande Muralha sempre foram cheios de selvageria, mas os gemidos de Chen Xing — que eram tanto de resistência quanto de prazer — eram ainda mais sedutores. Xiang Shu começou a aumentar a intensidade, querendo testar até que ponto Chen Xing aguentaria antes de perder o controle e gritar. Por um instante, a tenda se encheu do som suave dos corpos se chocando, de ruídos úmidos e dos gemidos de Chen Xing — e aquilo era simplesmente inebriante para Xiang Shu.
“Eu… eu não aguento mais”, Chen Xing começou a implorar. “Deixe-me descansar um pouco.”
Xiang Shu engoliu em seco, abraçando-o com força. Chen Xing o envolveu com os braços, acariciando suas costas; ele não esperava que esse gesto faria com que Xiang Shu perdesse o controle novamente, beijando-o apaixonadamente e, enquanto suas línguas se entrelaçavam, Xiang Shu passou a investir contra Chen Xing com ainda mais força. Em meio a sons abafados e um tremor incontrolável, Xiang Shu finalmente parou.
“Meu Deus…” O pescoço, os ombros, as clavículas e o peito de Chen Xing estavam repletos de marcas vermelhas deixadas pelos beijos de Xiang Shu. Quando finalmente se separaram um pouco, havia uma mancha de fluido branco sobre a barriga de Chen Xing; ele sequer sabia em que momento havia perdido o controle.
Xiang Shu tornou a pegar Chen Xing no colo e o levou para a fonte termal ao lado para se banharem.
Chen Xing passou a mão pelo rosto de Xiang Shu; e Xiang Shu, com toda a calma, sentou-se na piscina, pegou um pano e começou a lavar Chen Xing com cuidado.
“Por que você não diz nada depois que terminarmos?” Xiang Shu provocou. “Você não costuma falar pelos cotovelos?”
Chen Xing deu uma risadinha. Xiang Shu o puxou para sentar mais perto e perguntou: “No que está pensando?”
“Pensando em você”, Chen Xing conseguiu dizer.
Chen Xing estava pensando que ficaria ali por três meses inteiros e, durante esse tempo, teria que experimentar inúmeras posições. Ele imaginou que, quando saísse do qinglu, Xiang Shu seria um mestre na cama.
Xiang Shu pressionou sua ereção contra Chen Xing, ajustando sua posição para que Chen Xing se sentasse sobre ele de costas.
“Espere!” Chen Xing disse. “Vamos tomar um banho primeiro. Está quente demais aqui dentro, vou acabar desmaiando.”
Xiang Shu não insistiu. Depois de tomarem banho juntos, voltaram para a sala, onde ele o abraçou com um braço. Chen Xing baixou a cabeça para olhar para o pênis de Xiang Shu, que parecia um garanhão: menos de um ke* depois de terminarem, ele já estava duro de novo.
(n/t: um ke = quinze minutos)
“Se quiser brincar, brinque”, disse Xiang Shu. Suas mãos não paravam um segundo sequer, percorrendo incessantemente o corpo de Chen Xing; ele acariciava suas costas, abdômen e coxas, o que, na verdade, fazia Chen Xing sentir-se muito relaxado.
Chen Xing, então, também segurou o pau de Xiang Shu, apoiando-se no ombro dele, beliscou suavemente a ponta, apertando e massageando com as pontas dos dedos, fazendo com que liberasse uma quantidade considerável de fluido. Xiang Shu fez um gesto para que ele se sentasse em cima, e Chen Xing obedientemente se sentou sobre a virilha de Xiang Shu. Os dois ficaram sentados frente a frente, abraçados, Chen Xing segurando o pescoço de Xiang Shu, enquanto Xiang Shu o abraçava carinhosamente pela cintura.
Na segunda vez, Xiang Shu estava visivelmente mais gentil, sem aquela pressa de antes, e a respiração de Chen Xing também foi se tornando um pouco mais suave e regular, e ele murmurou baixinho: “Ainda é muito grande…”
“Três meses”, sussurrou Xiang Shu no ouvido de Chen Xing. “Você vai se acostumar. Em menos de três dias, será você quem não vai querer me soltar.”
Chen Xing sentiu aquela vara penetrar em seu corpo sem qualquer resistência, e toda a sua alma estremeceu. Desta vez, eles fizeram amor por um longo tempo. Da sala até a cama baixa, o som do vento uivava do lado de fora do qinglu, Xiang Shu apenas se movia com paciência e lentidão, como se a cada movimento quisesse sentir detalhadamente aquele contato sem nenhuma barreira entre eles. Até que, tarde da noite, ele encerrou o dia com um movimento firme, abraçou Chen Xing por trás e os dois caíram em um sono profundo.
◈ ◈ ◈
“Venha me encontrar…”, disse uma voz em meio a uma névoa densa e pesada.
Sob as montanhas nevadas que se estendiam sem fim, Chen Xing, como se em sonho, transformou-se num pássaro e atravessou a violenta nevasca. E lá, nas planícies de Chi Le Chuan coberta pela neve, surgiu um par de olhos. Bem no centro da testa, entre os dois olhos, dançava uma pequena chama azul, trêmula e viva.
“Venha me encontrar”, repetiu a voz. “No fim de Kesierta*…”
(n/t: 克斯尔塔它 (Kèsī'ěrtǎtā) significa o seu fim/extremidade.)
No primeiro dia que passaram no qinglu, eles não foram excessivamente indulgentes. Contudo, Chen Xing logo percebeu que, do amanhecer ao anoitecer, e do anoitecer ao amanhecer seguinte, não havia absolutamente nada para fazer além de se abraçarem, se beijarem e explorarem o corpo um do outro. Além do mais, eles tinham apenas um ao outro para olhar, então não sentiam a menor vontade de fazer qualquer outra coisa.
◈ ◈ ◈
Ao acordarem no dia seguinte, o café da manhã já havia sido entregue, e Chen Xing notou que suas roupas tinham sido levadas. Após comerem, os dois se entreolharam; Xiang Shu fez um sinal para que ele se aproximasse. Chen Xing já havia aceitado a vida no qinglu e foi se aninhar nos braços de Xiang Shu, deixando-se abraçar por ele. As mãos grandes e quentes de Xiang Shu começaram a percorrer seu corpo de maneira inquieta, bastaram poucas palavras para que Chen Xing não conseguisse mais se conter.
Ele estava prestes a contar sobre o sonho da noite anterior, quando Xiang Shu sussurrou: “Deixe para falar devagar depois que eu entrar. Relaxe um pouco.”
Chen Xing respirou fundo e relaxou.
“Já se acostumou agora?” Xiang Shu perguntou.
Chen Xing já havia se acostumado quase por completo; às vezes, chegava a sentir que o certo era estarem assim, intensamente entrelaçados. No momento em que Xiang Shu deixava seu corpo, ele chegava a sentir um estranho vazio e uma sensação de perda.
“No que está pensando?” Xiang Shu notou que Chen Xing parecia um pouco distraído.
Chen Xing estava realmente muito envergonhado, mas acabou confessando o que sentia. Logo em seguida, encontrou o olhar sorridente de Xiang Shu e disse: “É sério, isso é… é muito constrangedor… Ai! Vai devagar! Ah… hm…”
Xiang Shu atingiu a maior profundidade que conseguia alcançar, parou o movimento e respondeu: “Vocês, han, são sempre assim: o coração diz uma coisa, mas a boca diz outra.”
Chen Xing sentiu vontade de rir e, ao mesmo tempo, de abraçar Xiang Shu com força e gritar: Eu te amo tanto!. No entanto, ele nunca conseguia dizer essas palavras em voz alta. Talvez, estando frente a frente a cada momento, dia e noite, fosse ele quem dizia uma coisa e queria dizer outra.
“Deite-se sobre mim”, disse Xiang Shu. Em seguida, mudaram de posição: ele passou a penetrá-lo por trás e depois fez Chen Xing virar de costas, até que ele ficasse inteiramente deitado sobre seu corpo. Com as peles roçando uma na outra e em meio aos gemidos de prazer de Chen Xing, eles se apoiaram um no outro, e Xiang Shu pôde finalmente usar as mãos para acariciar cada centímetro da pele de Chen Xing.
Dentro do qinglu, Chen Xing tinha a sensação de estar inteiramente sob o domínio de Xiang Shu — como se tivesse entrado em uma barreira estranha. Nessa barreira, Xiang Shu era o mestre absoluto, guiando Chen Xing e penetrando-o por diferentes ângulos e direções. Às vezes, eles até se ajoelhavam diante do espelho para fazer isso. Xiang Shu gostava muito dessa posição; ele fazia Chen Xing se endireitar, de modo que pudesse apreciar seu corpo nu enquanto o acariciava e — ao mesmo tempo, penetrá-lo profundamente por trás.
Chen Xing foi forçado a se olhar no espelho — corando e gemendo sob as carícias de Xiang Shu.
“Quero tentar sentar em você”, disse Chen Xing. “Sinto que, assim, vai entrar inteiro.”
Ao dizer essas palavras agora, Chen Xing já não sentia nem um pingo de vergonha.
Xiang Shu respondeu seriamente: “Não precisa tentar se for desconfortável.”
Chen Xing puxou a mão de Xiang Shu e disse: “Vem!”
Xiang Shu deitou-se sem dizer uma palavra, e Chen Xing montou em sua cintura, endireitando as costas, desejando que o pênis grosso e comprido de Xiang Shu entrasse completamente de uma vez. Das outras vezes, quando Xiang Shu penetrava até o fundo, ainda restava uma pequena parte que não entrava totalmente. Desta vez, sob o olhar atento deles, e com o esforço de Chen Xing, o pau de Xiang Shu penetrou suavemente até a base.
“Ah, ah, hm——” gemeu Chen Xing. “Tão… tão fundo!”
O corpo de Chen Xing enrijeceu ligeiramente. Xiang Shu não ousou se mexer, apoiando-o delicadamente pela cintura, enquanto sua própria respiração tremia.
“Está desconfortável?” Xiang Shu perguntou. “Se estiver, saia.”
Chen Xing aguentou firme, sentindo a vara pressionar o ponto mais fundo do seu corpo — uma estimulação muito mais intensa do que em qualquer outra vez. Só depois que conseguiu se acostumar, começou a se mover para cima e para baixo em pequenos movimentos; aquela coisa penetrava cada vez mais fundo, proporcionando-lhe uma experiência estimulante completamente diferente.
“Ah…” Sem que percebesse, lágrimas brotaram dos olhos de Chen Xing. Era profundo demais, e era fácil perder o controle de si mesmo.
Xiang Shu se continha com todas as forças; estava claro que também era a primeira vez que ele penetrava tão profundamente. Ele tentou se sentar, mas Chen Xing pressionou seu peito, impedindo-o de se mover.
Os músculos de Chen Xing estavam tensos e estimulados; seus mamilos estavam duros e eretos, e os contornos de seu abdômen, pernas e cada parte de seu corpo revelavam o contorno musculoso de um jovem, o que excitou ainda mais Xiang Shu. Após cavalgar e se mover por menos de quinze minutos, Chen Xing olhou nos olhos de Xiang Shu e perguntou: “Assim… está bom para você?”
“Eu já gozei”, respondeu Xiang Shu.
Chen Xing: “……”
Xiang Shu: “……”
Os dois se entreolharam por um instante, e Chen Xing então riu; mas, ao rir, seu corpo se moveu, e ele sentiu um certo desconforto.
“Não, não dá”, disse Chen Xing. “É mesmo muito… muito profundo, preciso sair um pouco.”
Chen Xing empurrou o corpo ligeiramente para a frente, fazendo com que o membro de Xiang Shu saísse um pouco; agora se sentia muito melhor. De fato, ninguém deve se aventurar num terreno que não consegue dominar.
Xiang Shu colocou as mãos na cintura de Chen Xing: “E agora?”
Chen Xing: “Agora está bem melhor… hmm… que gostoso.”
“Mn… ah!” Chen Xing sentiu o membri de Xiang Shu pressionando seu interior; a posição era perfeita, tocando seu ponto mais íntimo.
Xiang Shu, com a respiração ofegante, disse: “Este é o lugar onde você sente mais prazer.”
Eles já haviam feito isso várias vezes, e Xiang Shu também percebia que, sempre que tocava aquele ponto, a reação de Chen Xing era particularmente intensa.
“Hm… ah… é tão gostoso.” Chen Xing gemeu.
Ele sentiu que o pau de Xiang Shu era realmente muito duro; mesmo depois de já terem gozado uma vez, ainda continuava firme, pressionando-o, especialmente ao apertar o ponto mais sensível. Chen Xing subia e descia suavemente, fazendo com que a ponta desenhasse círculos e se movesse lentamente nas profundezas de seu corpo; o prazer era tão intenso que seu corpo inteiro tremia.
Xiang Shu claramente também estava gostando muito; o corpo de Chen Xing era quente, e o local onde ele se pressionava era macio e acolhedor. Após alguns instantes, ele encontrou o ponto mais prazeroso de Chen Xing e começou a tomar a iniciativa, atacando-o de vez em quando, enquanto Chen Xing gradualmente relaxou, sem mais vergonha, recebendo-o com disposição.
Com os dedos entrelaçados, vários orgasmos consecutivos os banharam como ondas do mar. Chen Xing não conseguiu mais se conter, abaixou a cabeça e beijou Xiang Shu. Seus lábios e línguas se entrelaçaram, e eles se abraçaram com força. Xiang Shu parou de se mover e se entregou a Chen Xing.
◈ ◈ ◈
“Kesierta…”, a voz soou mais uma vez na mente de Chen Xing. “A luz de Yinghuo² já está próxima, e o brilho do fogo negro já cobre o céu…”
Em menos de três dias, Chen Xing já não queria mais se separar de Xiang Shu.
Sempre que estava perto de Xiang Shu, Chen Xing sentia vontade de se agarrar a ele o tempo todo, sem querer que ele se afastasse nem por um instante. Sempre que se separavam, seus corpos ainda ansiavam por continuar colados. Mesmo durante os momentos de descanso, precisavam se beijar e se acariciar. Chen Xing passou a tocar Xiang Shu sem o menor pudor, tornando-se, inclusive, muito mais inquieto que o próprio Xiang Shu. No entanto, sempre que ele tomava a menor iniciativa, Xiang Shu respondia imediatamente; afinal, em todo o tempo que passaram juntos, Chen Xing sempre foi muito reservado ao demonstrar afeto, agora, cada vez que ele demonstrava um pouquinho que fosse de interesse, a reação de Xiang Shu se tornava muito mais calorosa.
“Você gosta mesmo é de ficar olhando…”, gemeu Chen Xing, ajoelhado diante do espelho, enquanto recebia os impulsos de Xiang Shu por trás.
“Gosto de olhar e meter ao mesmo tempo”, respondeu Xiang Shu, beijando os ombros e o pescoço de Chen Xing por trás, uma mão no peito dele, os dedos ainda massageando suavemente seus mamilos.
“O que é isto aqui?” Xiang Shu sussurrou no ouvido de Chen Xing, enquanto dava leves petelecos com a ponta dos dedos.
O rosto de Chen Xing ficou vermelho até a raiz das orelhas, só porque as palavras de Xiang Shu às vezes eram obscenas demais — obrigando-o a dizer coisas que o faziam morrer de vergonha. E, em pouquíssimos dias, a técnica de Xiang Shu havia avançado de forma impressionante; agora ele conseguia encontrar habilmente aquele ponto e pressioná-lo e esfregá-lo contra ele com seu membro impressionante até que Chen Xing tremesse inteiro de tanto prazer.
“Já vai gozar?” Xiang Shu deu um beijo na orelha de Chen Xing.
De olhos fechados, Chen Xing assentiu, mergulhado na ternura de Xiang Shu. A técnica de Xiang Shu estava cada vez melhor, mas o corpo de Chen Xing ficava cada vez mais sensível; agora, nem precisava usar as mãos: bastava Xiang Shu fazer um pouco mais de força para Chen Xing ser levado ao clímax.
“Não pare”, pediu Chen Xing, virando a cabeça para olhar para Xiang Shu e sussurrou: “Continue.”
Xiang Shu riu e o fez mudar de posição deitando-o de costas para ele.
“Vamos apimentar as coisas”, disse Xiang Shu, começando a investir com força.
“Ah, ah, ah… mmm… ah!” Chen Xing sentiu a cabeça girar; ele mordia a ponta da colcha enquanto resistia àquela investida intensa, como uma tempestade. De fato, sua resistência havia melhorado consideravelmente.
“Você quer… ir junto comigo… juntos…”
“Uh-uhm…” respondeu Xiang Shu ofegante.
Chen Xing segurou a mão de Xiang Shu e a colocou em sua cintura; com esse movimento, Xiang Shu iria gozar rapidamente. Ele sabia que Xiang Shu queria chegar ao clímax junto com ele, entregando-se completamente um ao outro.
“Ah… tão fundo, tão gostoso!” Chen Xing finalmente não aguentou mais e gritou bem alto. Depois da última vez, ele havia aceitado completamente o tamanho de Xiang Shu; a cada estocada dele, a sensação de formigamento e êxtase subia diretamente para sua mente.
◈ ◈ ◈
Os dois começaram a ofegar ao mesmo tempo; Xiang Shu mantinha suas longas pernas pressionadas de leve contra as de Chen Xing, entregando-se ao carinho após o clímax, roçando um no outro com intimidade.
Chen Xing fechou os olhos, sentindo-se extremamente feliz; dias assim ainda durariam cem dias inteiros…
“Alguém já chegou a brigar dentro do qinglu?” Chen Xing perguntou certa vez.
Xiang Shu: “?”
Chen Xing estava sentado no colo de Xiang Shu, enquanto o outro distribuía beijos por seus ombros e pescoço. Xiang Shu, achando a pergunta estranha, respondeu: “Não sei. Por quê? Você quer brigar?”
“Claro que não”, disse Chen Xing. “Eu só estava curioso. Dentro do qinglu, é preciso se amar muito para conseguir passar por esses longos cem dias, não é?”
“Longos?” Xiang Shu subitamente ficou em alerta. “Você acha que são longos?”
Chen Xing apressou-se em dizer: “Claro que não acho longos! Eu quis dizer que, se fosse com alguém que não se ama, deve parecer uma eternidade, não é?”
Para dois amantes, mil dias no qinglu não seriam demais; mas, para aqueles que se casam sem amor, deve ser uma verdadeira tortura, não? Não há nada lá dentro; a única coisa que se pode ver é o outro.
“Pessoas que não se amam se casariam?” Xiang Shu perguntou, enquanto tentava mais uma vez fazer Chen Xing se deitar de lado, ajoelhando-se para entrar nele.
Chen Xing fitou os olhos de Xiang Shu e pensou que ambos eram muito afortunados — em meio à imensidão do mundo, tinham encontrado um ao outro.
“Eu tive um sonho…”, sussurrou Chen Xing. “Ah!”
“Ainda dói?” Xiang Shu parecia incrédulo. Eles já haviam passado mais de vinte dias juntos no qinglu e, enquanto estivessem acordados — não, até quando estavam dormindo — passavam o tempo fazendo amor.
“Eu gosto tanto disso!” Chen Xing disse com um sorriso.
Xiang Shu então o abraçou forte.
Após mais uma rodada, Chen Xing contou sobre o seu sonho. Xiang Shu, com uma expressão de total confusão, franziu a testa e perguntou: “Kesierta?”
“O que é isso?” Chen Xing perguntou.
Xiang Shu puxou Chen Xing, ajudando-o a se sentar. Chen Xing continuou: “Eu nunca ouvi falar desse lugar.”
“Por que não me contou antes?” Xiang Shu perguntou.
Chen Xing respondeu: “Eu bem que tentei… mas não tive oportunidade.”
Xiang Shu coçou a cabeça, demonstrando certa irritação e preocupação. Chen Xing perguntou: “O que é esse lugar?”
Xiang Shu respondeu: “É um lugar do povo Xiongnu. O que mais a voz no sonho disse?”
Chen Xing descreveu o sonho mais uma vez. Ao ouvir, Xiang Shu ficou com uma expressão de “isso é ruim”. Chen Xing sugeriu: “Que tal escrevermos uma carta para Xiao Shan e pedir para ele dar uma olhada?”
“Xiao Shan é jovem demais”, respondeu Xiang Shu. “Ele não consegue lidar com isso.”
Chen Xing perguntou, curioso: “Então, o que é isso afinal?”
Xiang Shu respondeu: "O Fogo Negro é uma profecia do povo Xiongnu sobre o fim do mundo. Mas não faz sentido; os sinais celestes também não mudaram.”
“Não pode ser!” Chen Xing disse. “Acabamos de exorcizar um demônio e agora temos que fazer isso de novo?"
Chen Xing realmente não queria ter que reunir outra vez um grupo de exorcistas para lutar contra Chiyou ou qualquer outro lorde demônio.
O problema é que agora os dois estavam sem roupas. Xiang Shu saiu para dar uma olhada do lado de fora e disse: “O sol está brilhando.”
“Vamos dar uma olhada”, propôs Xiang Shu, que não queria que a vida deles fosse interrompida por um rei demônio outra vez.
◈ ◈ ◈
Era um daqueles dias de calor fora de época, quando o outono já se despedia mas o inverno ainda não havia chegado. Lá fora fazia um calor agradável, e Chen Xing disse: “Mas não podemos sair assim!”
Xiang Shu pegou uma colcha, e os enrolou nele, dizendo: "Não vai ter ninguém em Kesierta. Vamos assim mesmo.”
“Realmente está bem quente”, concordou Chen Xing.
Assim que saíram do qinglu, Chen Xing já não queria nem mais a colcha enrolada no corpo.
A temperatura estava realmente quente hoje, como no final do verão. A luz do sol banhava a pele dos dois e, sob o dossel do céu e sobre o tapete da terra, sentiam-se como se tivessem retornado ao mundo em sua forma mais primitiva.
“Quer fazer mais uma vez?” Xiang Shu perguntou, ainda não satisfeito; sem conseguir esquecer aquela vez em que estavam montados a cavalo.
“Se alguém nos visse assim, seria muito constrangedor…” respondeu Chen Xing.
No entanto, ele também não tinha qualquer força para resistir àquele convite selvagem e natural. Sentou-se diante de Xiang Shu, com os pés descalços apoiando-se levemente nos estribos, e ergueu ligeiramente a cintura, permitindo que Xiang Shu o penetrasse. Aproveitando o balanço do galope do cavalo para experimentar aquela sensação extremamente estimulante, ao mesmo tempo com medo de se deparar com pastores ou caçadores.
“Não vá para a aldeia…” apressou-se em dizer Chen Xing.
Xiang Shu envolveu a cintura de ambos com a colcha, deixando sua parte superior musculosa e nua à mostra. Ele parou o cavalo por um instante diante da aldeia e perguntou o caminho aos moradores em língua Xiongnu; enquanto conversavam, seu pau ainda permanecia profundamente dentro no corpo de Chen Xing.
O rosto bonito de Chen Xing estava vermelho brilhante. Felizmente, os moradores não perceberam nada de estranho e apontaram para uma direção distante. Xiang Shu então tornou a incitar seu cavalo.
Ao desmontar, Chen Xing mal conseguia se manter em pé.
“É aqui”, disse Xiang Shu, amarrando o cavalo. Diante deles, havia um desfiladeiro profundo e sombrio.
Ele segurou a mão de Chen Xing e entraram em Kesierta. Embora estivessem no fim do outono, o desfiladeiro estava repleto de flores desabrochando. Era um lugar muito pequeno e estreito, espremido entre paredes de penhascos, contendo apenas um altar vazio em seu interior. Sobre o altar, havia uma pequena plataforma circular gravada com inscrições estranhas. Diante do altar, havia uma tigela de pedra completamente vazia. Na base do altar, havia pontas de flechas enferrujadas, evidenciando que, de fato, ninguém passava por ali há muito tempo.
A luz do sol caía sobre eles, iluminando sua pele clara. Ainda segurando a mão de Chen Xing, Xiang Shu colheu casualmente uma flor da encosta do penhasco e a colocou diante do pilar de pedra na entrada.
“Assim, ninguém vai entrar.”
Chen Xing, curioso, perguntou: “O que se costumava sacrificar ou cultuar neste lugar?”
“O dragão”, respondeu Xiang Shu. “O povo Xiongnu, assim como vocês, Han, têm o dragão como totem.”
“Você sabe mais alguma coisa sobre o Fogo Negro?” Chen Xing perguntou. Os dois ficaram de lado, com os dedos entrelaçados, enquanto Chen Xing olhava para cima e examinava atentamente as inscrições gravadas na parede do penhasco.
Ele não estava muito familiarizado com a antiga escrita Xiongnu e só sabia falar um pouco. Xiang Shu, então, foi traduzindo para ele conforme lia.
“A lenda do Fogo Negro é algo que ouvi em cantigas quando era muito pequeno”, explicou Xiang Shu. “Segundo os costumes dos Xiongnu, em tempos antigos houve um meteoro que era, na verdade, o lorde demônio ‘Yinghuo’. A cada 100 mil anos, ele desce a este mundo; a montaria do lorde demônio chama-se ‘Huan³’, enquanto a montaria dos guerreiros é o Dragão.”
“Mas Yinghuo não é a Grande Estrela de Fogo?” Chen Xing questionou. “Yinghuo aparece frequentemente no horizonte.”
Dava para ver agora mesmo. Chen Xing olhou para o horizonte: “no sétimo mês, a Estrela de Fogo declina” — embora a noite ainda não tivesse caído, nesta época do ano, Antares⁴ costumava cruzar o céu ao entardecer.
Xiang Shu fez um gesto de “não sei” e indicou a Chen Xing os murais na parede do penhasco. Neles, via-se a imagem de chamas negras caindo do céu, despencando sobre a terra e incinerando tudo no mundo.
“Olha”, disse Xiang Shu. “Quando o Fogo Negro descer, todas as coisas no mundo são corrompidas pelo fogo demoníaco.”
“Isso é muito pior que o Chiyou”, disse Chen Xing, com a vaga sensação de ter descoberto a resposta para um mistério que assombrava a humanidade há muitos anos.
“Mara é o mensageiro que ele deixou no mundo humano”, disse Xiang Shu casualmente. “Já que você sonhou com o altar e ouviu a voz, será que consegue se comunicar com ele? Por que não tentar?”
Chen Xing respondeu: “Mas a Lâmpada do Coração já foi devolvida ao Céu e à Terra. Não sei o que ele quer de mim. Espero que a lenda desse Rei Demônio não seja real.”
Dito isso, Chen Xing sentou-se com seriedade, enquanto Xiang Shu, após ficar em pé ao lado por um momento, também se sentou de pernas cruzadas ao lado de Chen Xing, envolvendo os dois com uma colcha.
“Por que me chamou aqui?” Chen Xing perguntou, olhando para o altar.
Não houve resposta. Apenas uma brisa suave soprava pelo vale. Ficaram esperando, não se sabe por quanto tempo, até que Antares surgisse no horizonte.
De repente, as inscrições no altar brilharam intensamente!
Num instante, as montanhas, os rios, a terra e o céu sofreram uma transformação extraordinária. Era como se uma névoa fina envolvesse tudo ao redor. E a voz de um jovem ecoou sobre o altar:
“Olá”, disse a voz, “Tem alguém aí? Alguém está ouvindo?”
“Quem é?” Xiang Shu perguntou franzindo a testa.
“Olá”, disse a voz novamente. “O sinal está ruim…”
“Eu cuido disso”, disse outra voz masculina, um pouco mais madura. “Vocês estão me ouvindo? Chegaram a Kesierta?”
Chen Xing respondeu imediatamente: “Sim! Quem é você?”
“Ah! Encontramos!” exclamou a voz do jovem, em um tom de alegria e alívio. “Rápido! Venham comigo salvar uma pessoa!”
Chen Xing: “???”
Xiang Shu franziu a testa e perguntou: “Quem são vocês? Onde estão escondidos?”
“Em que época estamos?” A voz do homem perguntou, e o jovem pareceu responder do outro lado: “Nas Dinastias do Norte e do Sul.”
Chen Xing & Xiang Shu: “??????”
A voz do homem disse: “Vou explicar a situação atual primeiro. Vocês são exorcistas?”
“Sim”, respondeu Chen Xing. Ele olhou para Xiang Shu, sentindo-se um pouco apreensivo; Xiang Shu assentiu, indicando que não havia problema. Chen Xing então continuou: “Eu sou o atual Grande Exorcista, Chen Xing, e este é meu Protetor, Xiang Shu.”
“Ótimo!” O jovem comemorou novamente.
Xiang Shu franziu a testa e perguntou: “Quem são vocês? Vocês também são exorcistas?”
“Sim! Sim!” O jovem respondeu.
A voz do homem disse: “Resumindo, estamos usando a Torre do Tempo para enviar esta mensagem para vocês.”
“Ah!” Chen Xing entendeu imediatamente. Depois de experimentar a viagem no tempo causada pela Pérola Dinghai, eles conseguiram entender rapidamente o que estava acontecendo.
Xiang Shu perguntou: “Vocês são do passado ou do futuro?”
“Do futuro”, respondeu a voz firme do homem, “de um futuro muito distante, mas a época em que estamos agora é ainda mais antiga do que o próprio nascimento da história humana."
O jovem explicou ansiosamente: “Nós viemos do futuro, mas, por causa de certos acontecimentos, acabamos viajando de volta para o passado.”
Chen Xing estava completamente confuso, mas a outra parte parecia estar com tanta pressa que não havia espaço para mais perguntas. Ele então disse: “O que aconteceu? Vocês precisam de ajuda?”
“Vocês conhecem Yinghuo?” O homem perguntou novamente.
“Sei um pouco”, respondeu Xiang Shu, e contou ao outro o que sabia.
O jovem comentou: “Essa lenda quase foi totalmente apagada pela história…”
“Espera aí”, Xiang Shu de repente ficou alerta e perguntou: “Essa profecia é real?”
“Sim”, respondeu o homem. “Mas não vai acontecer no presente em que vocês estão, e sim num futuro ainda mais distante.”
Chen Xing perguntou: “Daqui a quanto tempo isso irá acontecer?”
O homem hesitou por um instante antes de responder: “É algo que ocorrerá em aproximadamente mil e setecentos anos.”
Xiang Shu e Chen Xing, por um momento, ficaram sem palavras. Era distante demais — quase não conseguiam sequer imaginar aquela era.
O homem disse: “O Fogo Negro descerá, mas ainda há esperança. Através da Torre do Tempo, em Kesierta, nós encontramos vocês.”
O jovem acrescentou: “Sim, ainda há esperança! Preciso tomar emprestado a força da Lâmpada do Coração. Chen Xing, você é o Chen Xing, certo?”
Chen Xing: “Mas eu já devolvi minha Lâmpada do Coração ao Céu e à Terra.”
O jovem disse: “Não tem problema, ela ainda permanece. A luz das estrelas, o brilho das cinco cores do Pavão*, a transformação de todas as coisas pela Árvore Divina de Kunlun Ocidental…”
(n/t: *para quem leu Tianbao é a Luz Sagrada Pentacolorida XD)
Chen Xing: “O quê?”
O homem continuou: “Preciso de um dragão. Xiang Shu, você é um dragão?”
Xiang Shu: “……”
O jovem acrescentou: “Quanto mais dragões, melhor…”
Xiang Shu: “………………”
O jovem disse: “Venham, subam os dois no altar.”
“Mas eu estou sem roupas!” Chen Xing protestou.
“Não tem problema”, respondeu o jovem. “Só precisamos do corpo espiritual! Vamos!”
"Vamos!" gritou o homem. “O tempo é infinito…”
“… Mas a Lâmpada do Coração brilha eternamente como o dia!” O jovem completou gritando.
Um brilho ofuscante irrompeu do altar, envolvendo-os. Chen Xing, instintivamente, estendeu a mão para se agarrar a algo, mas acabou segurando o chifre de dragão de Xiang Shu. O dragão dourado ergueu-se do chão, levando Chen Xing em um voo que rasgava o céu escuro.
“Que lugar é este?” Chen Xing ficou chocado, olhando para a terra. Naquele momento, a luz da Lâmpada do Coração irrompeu dos quatro cantos do céu e da terra, convergindo em seu corpo e formando uma armadura de batalha.
No céu, enormes estrelas vermelho-escuras pairavam, enquanto chamas negras caiam do alto, fazendo o chão desmoronar continuamente em meio ao Fogo Negro.
“Este é o futuro!”
Outro dragão azul passou voando por eles, um jovem empoleirado em seu chifre, gritando para Chen Xing: "Vamos! Vamos descer!”
“Vou morrer na queda!” Chen Xing gritou, entrando em pânico.
“Não vai! Você é um espírito!” O jovem gritou em resposta.
“Xiaoduo! Cuidado! Vá! Xiang Shu, venha comigo!” O dragão azul gritou; era a voz do homem.
No céu, ao redor da estrela vermelho-escura, um terceiro dragão apareceu — um longo dragão dourado-escuro, de corpo inteiramente negro como azeviche, mas cujos chifres brilhavam com uma luz intensa e faiscante. Ele estava caindo em chamas.
Chen Xing, cerrando os dentes, saltou da cabeça do dragão e deu um pulo para baixo; o jovem chamado Xiaoduo voou em sua direção, abriu os braços e o segurou.
“Jiang Hong——!” Xiaoduo gritou.
A escuridão tomou conta do Céu e da Terra, e, no meio daquela escuridão, outra voz ressoou:
“Jiang Hong.” O corpo inteiro do pavão brilhou intensamente, rompendo a longa noite e voando para fora da escuridão.
“Jiang Hong!” Outra figura brilhante surgiu. Chen Xing, carregado por Xiaoduo, voou em direção à terra, pousando em meio a um terreno lamacento.
Deitado na lama, havia um jovem com os olhos firmemente fechados; apenas em seu peito pulsava um rastro fraco da luz de uma chama.
“Brilho das Cinco Cores, que seu hunpo retorne ao seu lugar!” O Pavão transformou-se em um jovem envolto por uma luz fluida, suas mãos formando um selo.
Com um som suave, a luz foi absorvida pelo corpo do jovem caído.
“Fogo Verdadeiro da Fênix, que ele ajude a reconstruir o seu corpo”, ecoou uma voz profunda.
“Chong Ming?!” Chen Xing de repente avistou a Fênix. Ele ainda estava lá!
Após mil e setecentos anos, a Fênix espalhou mais uma vez o poder de seu Fogo Verdadeiro sobre o mundo.
“Obrigado!” Chen Xing sorriu para a Fênix no céu. Ao presenciar aquela cena, ele soube que Chong Ming havia cumprido, durante todo aquele tempo, o pacto que fizeram.
“Árvore das Mil Montanhas, que ela lhe conceda o poder da ressurreição”, murmurou o segundo jovem; de suas mãos, brotaram inúmeras folhas de luz, que se espalharam suavemente por todo o corpo do rapaz caído.
“Chen Xing, é a sua vez!” Xiaoduo o apressou.
“Lâmpada do Coração Eterna!” Chen Xing executou o selo da lâmpada, gritando: “Que ela lhe conceda o renascimento!”
Instantaneamente, naquele mundo de trevas, a terra explodiu em uma luz ofuscante. A Estrela da Desgraça, suspensa no ar, pareceu sentir a ameaça; ele lançou sua energia em direção à terra e soltou um rugido estrondoso!
“Jiang Hong!” Xiaoduo voou em direção ao jovem e gritou: “Hora de acordar! Levanta logo, vamos salvar o mundo!”
E, sem perder tempo, Xiaoduo deu um peteleco na testa do rapaz.
Jiang Hong abriu os olhos.
◈ ◈ ◈
No instante seguinte, a luz se dissipou repentinamente, Chen Xing e Xiang Shu acordaram de repente, voltando mais uma vez ao vale, diante do altar de Kesierta.
“Será que deu certo?” Xiang Shu perguntou.
Chen Xing, ainda meio confuso, respondeu: “Acho que sim… Eu vi o rapaz abrir os olhos.”
Os dois permaneceram em silêncio por um longo tempo, sentados no vale por mais alguns instantes, mas o altar não emitiu mais nenhum som, como se nada tivesse acontecido.
“Daqui a mil e setecentos anos”, suspirou Chen Xing, sem conseguir se conter. “É distante demais, não é? Você viu aquelas construções no chão? São completamente diferentes das que temos agora.”
“Hum”, murmurou Xiang Shu, abraçando Chen Xing. “Eu não me importo com nada disso. Só me importo com o nosso qinglu.”
Chen Xing começou a rir. Algum dia, em um futuro distante, o mundo seria destruído? Ao que parecia, aquelas pessoas também tinham pago um preço alto; eles deviam estar seguros agora, não?
Eles ficaram sentados por mais um tempo. O sol se pôs, e as estrelas surgiram no céu noturno — estava tudo calmo e belo.
“Vamos voltar?” Xiang Shu perguntou.
“Vamos”, respondeu Chen Xing.
Xiang Shu montou no cavalo com Chen Xing. A brisa noturna de outono trazia uma mistura de aroma de capim seco, e sob a colcha, os corpos dos dois estavam quentes. Chen Xing contemplou o céu estrelado e pensou: sob essas mesmas estrelas eternas, certamente haverá, no futuro, alguém que continuará a proteger este mundo sem nunca desistir, não é mesmo?
—— Fim do Capítulo Extra: Qinglu ——
Notas:
1 一别两宽 (Yī bié liǎng kuān): esta é uma expressão clássica que vem de documentos de divórcio da Dinastia Tang. Significa algo como: “uma separação que traz liberdade e paz para ambas as partes”.
2 荧惑 (Yínghuò): este é o nome chinês antigo para o planeta Marte, frequentemente associado a guerras, desastres e mudanças repentinas. Aqui simboliza uma estrela de mau agouro.
3 鴅 (Huān): um pássaro mítico da cultura antiga, muitas vezes descrito como uma criatura de mau agouro.
4 七月流火 (Qīyuè liúhuǒ): um idioma clássico do Livro das Odes. Literalmente “no sétimo mês, o fogo flui”, refere-se à estrela Antares (a Grande Estrela de Fogo) descendo no horizonte, sinalizando a chegada do frio.
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Flor: Meu Deus! A temperatura subiu num nível~~
Me desidratei traduzindo isso aqui!!
O autor superou minhas expectativas, incluindo a parte do cavalo hehe~
E ainda nos deu um pedacinho da novel O Resplendor de Todas as Coisas!
Me desculpem caso esteja confuso em alguma parte!
Até mais!
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Novels de referência:
Tianbao Fuyao Lu (A Lenda do Exorcismo)
Guojia Yiji Zhuce Qumoshi Shanggang Peixun Tongzhi (Mingwang Huanshi Lu)
(Aviso de Pré-Treinamento para Exorcistas de Primeira Classe Nacional)
Wanwu Fenghua Lu. (Registros do Esplendor de Todas as Coisas)
ps: queria muito traduzir a última xD
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