sexta-feira, 25 de setembro de 2026

[Novel] Mingwang Huanshi Lu - Capítulo 022

 



Capítulo 22 - Exame de Certificação




“Você está com medo de que eu faça você cheirar o Pólen Lihun?” Xiang Cheng perguntou.


“Hum”, respondeu Chi Xiaoduo.


Xiang Cheng disse: “Eu só queria vir aqui para te ver.”


Chi Xiaoduo chegou um pouco para o lado na cama, abrindo espaço. Xiang Cheng abriu o zíper de sua jaqueta esportiva e se deitou na cama, quase totalmente nu; o braço de Chi Xiaoduo roçou no corpo de Xiang Cheng, dando-lhe uma sensação extremamente agradável e confortável.


“Você está tão frio”, disse Chi Xiaoduo.


“Acabei de tomar um banho frio”, respondeu Xiang Cheng. Ele estendeu a mão para apagar a luz e apoiou o braço sobre o ombro de Chi Xiaoduo. “O que você está olhando?”


“Weibo.” Chi Xiaoduo já conseguia perceber a consciência pesada de Xiang Cheng. “Me diga a verdade.”


As preocupações de Xiang Cheng estavam todas estampadas em seu rosto. Chi Xiaoduo perguntou: "Qiqi veio hoje para lhe transmitir uma mensagem?”


Xiang Cheng soltou um longo suspiro na escuridão.


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A janela do chão ao teto da sala de estar se abriram silenciosamente.


Si Gui estava aninhado na almofada, rapidamente ergueu a cabeça para dar uma olhada e, em seguida, abriu as asas e voou, pousando na mesa de centro, de frente para a noite de verão que trazia uma brisa encantadora do lado de fora.


Uma brisa leve soprava para dentro.


Qi Wei estava parado no condomínio. Ele ergueu levemente uma das mãos, apontando-a na direção da varanda no andar superior. O pó brilhante que rodopiava em sua palma transformou-se em uma galáxia, voando em direção à casa de Chi Xiaoduo e Xiang Cheng.


“Na verdade, você não precisa explicar nada disso.”


A voz de Chi Xiaoduo veio de dentro do quarto.


“Como eu posso não explicar?”


A voz de Xiang Cheng chegou à sala de estar; Si Gui pousou na mesa de centro, inclinou a cabeça e começou a alisar as penas das asas.


A voz de Chi Xiaoduo:


“Você poderia simplesmente deixar que eu cheirasse um pouco do Pólen Lihun enquanto durmo; assim, eu esqueceria tudo, não é?”


“É verdade, mas eu não quero. Chi Xiaoduo, eu não quero…”


“Se eu esquecer tudo isso, você ainda vai ficar ao meu lado?”


“Eu gosto de Guangzhou; quero ficar aqui.”


“Que bom. E o frasco? Aqui, dê para mim. Contanto que você não vá embora, é só isso que importa.”


“Espere…”


“Apenas dê para mim.”


“Não se preocupe, eu não estou usando nada; você acha mesmo que eu teria como estar com esse pó aqui? Eu só queria te dizer que… eu também não quero que você perca as nossas memórias juntos, Chi Xiaoduo…”


“De repente me lembrei de uma coisa. Antes de cheirar o pó, tem um pequeno favor que eu quero que você me prometa.”


“O que é?”


“……”


Si Gui abriu levemente as asas, e o pólen rodopiou do lado de fora da janela, incapaz de entrar na casa deles.


Um instante depois, ouviu-se o som da porta se abrindo; Chi Xiaoduo saiu correndo descalço, perguntando: “Cadê o pólen? Onde o pólen está?”


“Você… Chi Xiaoduo! Espere!” Xiang Cheng veio atrás dele. Ao ver a luz do lado de fora da janela, a primeira coisa que fez foi fechar a janela e rugir para a pessoa embaixo: “Vaza!”


Chi Xiaoduo espirrou alto no sofá, atrás de Xiang Cheng.


Qi Wei ouviu o espirro, recolheu o pó e foi embora.


Chi Xiaoduo parecia confuso — claramente sofrendo de uma falha de memória —, e Xiang Cheng correu de volta às pressas para arrancar o frasco de rapé de suas mãos.


“Ah…” Chi Xiaoduo olhou para o frasco de rapé e, depois, para Xiang Cheng.


Xiang Cheng: “……”


Chi Xiaoduo: “……”


“Desculpe”, disse Chi Xiaoduo. “Mas… Que estranho, o que eu estava fazendo? Você vai primeiro…”


O rosto de Chi Xiaoduo ficou completamente vermelho. Xiang Cheng fechou o frasco de rapé e permaneceu em silêncio.


“O que acabou de acontecer?” Chi Xiaoduo perguntou.


Xiang Cheng respondeu: “Nada.”


Chi Xiaoduo: “???”


A memória de Chi Xiaoduo estava uma confusão total. Ele viu Xiang Cheng recolhendo as coisas e jogando fora as bitucas de cigarro do cinzeiro.


“Por que você fumou tanto?” Chi Xiaoduo perguntou.


Xiang Cheng respirou fundo e não respondeu. Ele vestiu a roupa e sentou-se no sofá. Por um momento, ficou meio sem saber o que fazer.


“O que houve com você?” Chi Xiaoduo perguntou, com um olhar vago. "Está de mau humor?"


“Não fale.” Xiang Cheng ergueu a mão, mas seu olhar estava voltado para outro lugar; ele não encarava Chi Xiaoduo.


Chi Xiaoduo sentou-se ao lado dele.


“Também não ligue a TV”, disse Xiang Cheng. “Quero paz.”


“Quem é essa Paz¹?” Chi Xiaoduo perguntou.


Xiang Cheng: “……”


Chi Xiaoduo coçou a cabeça, levantou-se meio sem entender nada e foi para a cozinha. Um instante depois, colocou a cabeça para fora e perguntou: “Quer comer alguma coisa?”


“Não.”


Xiang Cheng continuou sentado na sala, fumando.


"Que estranho, por que estou com fome de novo?” Chi Xiaoduo murmurou para si mesmo. Ele pegou um pouco de pão na geladeira, esquentou um leite para acompanhar, foi pegar seu celular, deu um bocejo e, de repente, lembrou de algo.


O celular que ele havia comprado hoje! Mas Xiang Cheng não parecia muito feliz com isso. Chi Xiaoduo não se atreveu a dizer nada; ele se perguntou se a autoestima de Xiang Cheng havia sido ferida pelo fato de ele ter comprado um celular para ele.


Ferrou, o tiro saiu pela culatra. Sem coragem de dizer mais nada, Chi Xiaoduo falou com todo o cuidado: “Vou dormir.”


Xiang Cheng olhou para cima, lançou um olhar para Chi Xiaoduo e continuou em silêncio.


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Chi Xiaoduo se jogou na cama e rolou de um lado para o outro, com o peixe-mola em seu coração oscilando entre a vida e a morte.


“Wuwuwuwu, o que eu faço?” Chi Xiaoduo disse. “Ele não parece gostar nem um pouco de ser sustentado por mim! Será que é o orgulho de um homem hétero?”


Chi Xiaoduo estava deitado de bruços, sentindo vontade de morrer; em meio aos seus resmungos, levantou a cabeça para olhar em volta.


“Espera, por que está escuro?” Ele checou o celular — já eram onze horas.


Será que eles tinham saído para passear de tarde?! Chi Xiaoduo estava totalmente confuso. Bom, deixa para lá; ele ia apenas dormir por enquanto. Tinha uma sensação incômoda de que algo não estava certo, mas qualquer dúvida foi rapidamente varrida pela imagem avassaladora e melancólica de Xiang Cheng olhando para cima, num ângulo de quarenta e cinco graus, sem deixar vestígio algum.


Ao ouvir o som da porta se abrindo — era Xiang Cheng entrando —, Chi Xiaoduo permaneceu imóvel, fingindo estar dormindo.


Xiang Cheng puxou o edredom para cobri-lo, fechou a porta e saiu. Chi Xiaoduo pulou da cama imediatamente e encostou o ouvido na porta para escutar; ouvindo o que parecia ser um longo suspiro de Xiang Cheng.


Chi Xiaoduo pensou consigo mesmo: Não fica assim. Você acabou de me entregar um cartão com 400 mil yuans; na pior das hipóteses, basta descontar o valor desse cartão. Pode considerar apenas como um presente que você comprou para mim — qual é o problema? Às vezes, Chi Xiaoduo também tinha medo de não estarem em pé de igualdade; ele sempre esperava dar mais aos outros, caso contrário, ficava tanto inseguro quanto envergonhado.


Era muito raro conseguir aceitar a bondade dos outros sem se sentir mal. Chi Xiaoduo pensou que teria que tomar mais cuidado no futuro com a forma como pagava as coisas, enquanto, aos poucos, pegava no sono sem perceber.


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Na manhã seguinte, ele foi acordado por Xiang Cheng batendo na porta.


“Hora de ir trabalhar”, disse Xiang Cheng do lado de fora da porta.


“Hã?” Chi Xiaoduo estava totalmente confuso. Não era domingo? Já era terça-feira! O que diabos estava acontecendo?!


Chi Xiaoduo levantou-se às pressas, pensando: Ferrou. Depois de sair correndo, ele se lembrou de repente de que já era certificado! Mesmo que se atrasasse, o chefe certamente não ousaria ficar bravo com ele; então, escovou os dentes e lavou o rosto sem pressa, antes de se sentar para tomar café da manhã.


“Você não tem medo de se atrasar?” Xiang Cheng perguntou.


“Sem problemas”, respondeu Chi Xiaoduo, tomando seu mingau sem a menor preocupação.


Xiang Cheng perguntou novamente: “Dormiu bem ontem à noite?”


Ambos pareciam um pouco sem jeito. Chi Xiaoduo disse: "Sonhei que você estava correndo atrás de mim com um frasco de rapé, enquanto eu corria na frente gritando: ‘Vem me pegar, vem me pegar!’”


Xiang Cheng: “……”


Chi Xiaoduo riu e disse: “Eu também não sei por que tive um sonho tão estranho.”


“Lavei suas calças enquanto lavava outras coisas”, respondeu Xiang Cheng.


Chi Xiaoduo murmurou em resposta. Depois do café da manhã, ele manteve as mãos sob a mesa e observou cada movimento de Xiang Cheng, tentando descobrir se ele estava bravo ou não. Mas tudo parecia normal. Chi Xiaoduo disse: "A comida que você faz é deliciosa. Se um dia você me deixar, certamente eu morrerei.”


“Então não me deixe”, disse Xiang Cheng casualmente, enquanto recolhia a louça.


Chi Xiaoduo ficou radiante e disse: “Ah, a propósito, estou pensando em… pedir demissão. Não quero mais ir trabalhar; quero ficar em casa.”


Xiang Cheng: “……”


“Humm. Depois de pedir demissão, o que você quer fazer?”


“Ainda não pensei direito, mas você planeja procurar um emprego?” Chi Xiaoduo perguntou. “Que tal se a gente abrisse um restaurante?”


“Não tenho vontade de cozinhar para pessoas que não conheço. A comida não ficaria boa; só consigo preparar pratos deliciosos para as pessoas de quem quero cuidar.”


Xiang Cheng deu a mesma resposta que havia dado no dia anterior.


O coração de Chi Xiaoduo disparou — tum-tum — e seu rosto ficou vermelho. Xiang Cheng secou as mãos, pegou a chave da bicicleta e foi levá-lo ao trabalho.


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Ao entrar no prédio, todos os seus colegas agiram de forma um tanto estranha.


“Bom dia, Xiaoduo.”


"Bom dia." Chi Xiaoduo estava sentado à sua mesa, com um olhar vago. Ele não estava de bom humor devido ao incidente com o celular de Xiang Cheng no dia anterior. Pouco depois, levantou-se com uma caneca e foi buscar café. Ao passar pela mesa de seu aprendiz, o jovem avançou sobre ele, lamentando-se: “Shifu——”


Sem demonstrar qualquer emoção, Chi Xiaoduo arrastou o aprendiz (que se agarrava à sua coxa) por cinco metros até a máquina de café e disse: “Shifu passou no exame. Agora você pode me acompanhar e viver bem.”


“Shifu, você vai embora?” perguntou o aprendiz. “Para onde o Shifu vai? Me leve junto para passear e me leve embora também².”


“Quem te disse isso?” Chi Xiaoduo encheu a caneca de café e arrastou o aprendiz de volta para a mesa.


O aprendiz bateu a cabeça contra um arquivo com um baque surdo e disse: “Foram eles que disseram.”


“Quem está espalhando boatos de que vou pedir demissão, hein?” Chi Xiaoduo pensou que, na verdade, já estava na hora de pedir demissão mesmo. Ele simplesmente não queria mais trabalhar — era cansativo demais — e disse isso com um ar de preguiça.


Todos no escritório olharam para Chi Xiaoduo com expressões estranhas.


“Xiaoduo”, disse o chefe, abrindo a porta da sala. “Venha aqui um instante.”


O chefe enviou uma mensagem no WeChat repreendendo a equipe de construção enquanto cumprimentava Chi Xiaoduo. Eles entraram na sala do diretor, e Chi Xiaoduo imaginou que devesse haver algum problema com o projeto. Para sua surpresa, o diretor sentou-se e perguntou: “Chi Xiaoduo, você está planejando pedir demissão?”


“Hã?” Chi Xiaoduo parecia confuso. “Não, eu não, eu disse isso?”


“Você mesmo disse ontem”, falou o chefe, com um olhar desconfiado. “O que está acontecendo, afinal?”


Chi Xiaoduo reagiu imediatamente e aproveitou a deixa para entrar na onda³. “Ah, acho que…”


“É melhor você não pedir demissão!” O chefe também reagiu no mesmo instante. “Deixa para lá! Diretor, já estamos voltando!”


“Não, não! Lembrei agora!” Chi Xiaoduo disse com firmeza, embora, na verdade, não se lembrasse de nada.


“Não, não, fui eu quem te confundiu com outra pessoa.”


“Eu me demito! Eu me demito!”


“Vocês dois, saiam para decidir uma resposta definitiva antes de falar mais alguma coisa — e, Li Wei, por que você está agarrado aos pés do Xiaoduo esse tempo todo…?”


“Não precisa discutir nada!” Chi Xiaoduo declarou, soltando uma bomba. “Eu me demito! Obrigado, Diretor; obrigado, Chefe, por cuidarem de mim esse tempo todo. Estou indo embora…”


Chi Xiaoduo concluiu sua demissão o mais rápido possível, mas ainda precisava cumprir um período de transição de um mês. Disseram que seria um mês, mas, na verdade, tudo poderia ser feito em uma semana, e ele não precisava comparecer todos os dias. Antes do meio-dia, Chi Xiaoduo se despediu de todos novamente, sentindo-se eufórico e agindo como um husky que havia se livrado da coleira. Ele saiu do escritório às pressas, com um sorriso radiante e carregando sua segunda caixa, pronto para abraçar sua nova vida.


Enquanto esperava o elevador, Chi Xiaoduo recebeu uma ligação da sua melhor amiga.


“Chi Xiaoduo, o treinador disse que a aula começaria à tarde. Vai ser um sistema de rodízio entre as modalidades, e você pode aprender o que quiser quando chegar”, a amiga, que só tinha acordado ao meio-dia, falou em um tom entediado: “Meu primo encontrou.”


“Hã?” Chi Xiaoduo perguntou, confuso. “Encontrou o quê?”


“Judô”, respondeu a amiga.


“Judô? Judô é uma pessoa?” Chi Xiaoduo não estava entendendo nada; apenas sentia que as coisas estavam muito estranhas naquele dia. Ele perguntou novamente: “O que tem o Judô?”


“Chi——Xiao——Duo!” Sua melhor amiga rugiu ao telefone. “Não se faça de sonso comigo! Se você me der cano de novo, a laoniang te engolirá vivo!”


“……”


Chi Xiaoduo saiu do elevador e parou na porta do instituto de design. De repente, sentiu-se tão feliz que ficou até meio tonto.


“Eu pedi demissão!” Chi Xiaoduo disse ao telefone.


“Hum.” A voz de Xiang Cheng continuava a mesma de sempre; ouvi-la trazia a Chi Xiaoduo uma sensação de segurança.


“Vou aprender judô com uma amiga hoje à tarde”, disse Chi Xiaoduo. “Não precisa vir me buscar.”


“Aprender judô?” Xiang Cheng perguntou. “Para lidar comigo?”


“Não sei…”, respondeu Chi Xiaoduo. Segurando a caixa de papelão com um dos braços, ele desceu os degraus e deu um sorriso tão radiante quanto o sol. “Ela me pediu para ir junto, o Qiqi inscreveu nós dois. As aulas começam à tarde, deixa eu ver… faltam só trinta minutos. Não precisa vir me buscar à noite, eu volto sozinho.”


Xiang Cheng sorriu para ele e disse: “Eu nem fui embora, fiquei aqui embaixo te esperando.”


Chi Xiaoduo: “……”


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Xiang Cheng não perguntou por que Chi Xiaoduo havia largado o emprego; em vez disso, os dois encontraram um lugar para almoçar. Chi Xiaoduo percebeu que Xiang Cheng estava muito quieto — não aquele tipo de silêncio de quem não fala nada, mas sim uma quietude que demonstrava o quanto ele se sentia à vontade ao lado de Chi Xiaoduo; era como se houvesse uma conexão silenciosa entre eles, independentemente do que quisessem fazer.


Xiang Cheng segurava um exemplar da Story Club, enquanto Chi Xiaoduo lia O Massagista Místico, de V.S. Naipaul. Eles sentaram no Starbucks e ficaram lendo enquanto se banhavam na luz radiante do início do verão. Xiang Cheng era alto e tinha pernas compridas, então sempre ficava um pouco espremido quando se sentava no sofá. Depois de um tempo, Chi Xiaoduo sugeriu que ele tirasse os tênis e descansasse os pés em seu colo.


AAAAAAAH—— que amor maravilhoso, ah! Chi Xiaoduo queria muito se declarar para Xiang Cheng, mas, se Xiang Cheng o visse apenas como um amigo, uma declaração só o faria passar vergonha.


Assim que o papel da janela fosse perfurado, não sobraria nada⁴.


Como se dobra um homem hétero? Chi Xiaoduo tentou se lembrar com esforço de como tinha dobrado os garotos héteros ao seu redor no passado. Parecia que ele nem tinha feito esforço algum; seus colegas héteros simplesmente se dobraram de forma natural.


Pegue o Wang Ren como exemplo. Chi Xiaoduo se lembrava de que Wang Ren parecia ter se dobrado sem nem perceber e, mesmo depois de dobrado, insistia que eles eram apenas puros irmãos de consideração. Isso durou até o jantar de formatura, quando Wang Ren, embriagado, tinha chorado caindo em prantos, agarrando-se a Chi Xiaoduo sem soltar. Chi Xiaoduo ainda não tinha entendido nada até que, no meio da noite, Wang Ren quis tirar as calças dele no quarto do alojamento.


Tinha também outro garoto do curso de Letras (Chinês), que passava os dias estudando na mesma sala que Chi Xiaoduo costumava frequentar. Eles acabaram se conhecendo com o tempo, e Chi Xiaoduo frequentemente lhe levava café da manhã. Com o passar dos dias, eles começaram a fazer as refeições juntos. Quando o estudante de Letras (Chinês) tentou (sem sucesso) conquistar uma garota do curso, Chi Xiaoduo até o apoiou enquanto ele preparava uma declaração romântica à luz de velas; Chi Xiaoduo o acompanhava, carregando o bolo e segurando o guarda-chuva como um assistente. E quando o garoto foi rejeitado; Chi Xiaoduo sentiu pena dele e lhe fez companhia. No fim das contas, quando o rapaz começou a gostar dele, Chi Xiaoduo achou que ele era “fraco demais” e fugiu.


Mais tarde, ele ouviu dizer que aquele rapaz alto, magro, de óculos e aparência refinada era, na verdade, muito bem-dotado e uma fera na cama. Chi Xiaoduo se arrependeu quando pensou nisso.


Havia também um veterano da faculdade que estudava design de arquitetura e tinha um estilo mais esportivo. Chi Xiaoduo, movido pelo espírito de solidariedade entre colegas de faculdade, torcia fervorosamente em todos os jogos, segurando as roupas e entregando garrafinhas de água. Ele até consolou o veterano quando o time dele perdeu uma partida sob chuva forte… e, no final, aquele veterano também acabou sendo dobrado.


Certo! Com base nesse raciocínio, Chi Xiaoduo elaborou uma estratégia para dobrar um homem hétero: tratá-lo bem. Se um homem hétero se sentisse tocado, poderia acabar mudando de orientação. Ele precisava cobri-lo de cuidados e ser extremamente atencioso com ele!


Xiang Cheng: “No que você está pensando?”


“Em nada.” Chi Xiaoduo havia encarado Xiang Cheng por um longo tempo. Agora, desviou o olhar e disse: “Pensando no enredo do livro.” Seu pensamento interno: pensando em como te dobrar.


O celular não parava de tocar com as ligações da melhor amiga. Xiang Cheng tirou os pés do colo de Chi Xiaoduo e olhou pela janela do chão ao teto. Um BMW estava estacionado no acostamento — era o mesmo carro que Xiang Cheng dirigia anteriormente. O vidro baixou, revelando o rosto de Qi Wei; usando óculos escuros, Qi Wei assobiou na direção deles.


“Desculpe interromper o romance de vocês!” Qi Wei provocou. “Vou levar o seu peixinho-mola emprestado por um tempo.”


Chi Xiaoduo corou enquanto ele gritava: “Vamos logo!”


“Vou trazê-lo de volta hoje à noite”, acrescentou Qi Wei, dirigindo-se a Xiang Cheng.


“O que você quer comer hoje à noite?” Xiang Cheng perguntou a Chi Xiaoduo.


“Qualquer… qualquer coisa”, disse Chi Xiaoduo. “Estou indo agora.”


Quando o BMW se afastou, Xiang Cheng subiu na bicicleta, colocou os fones de ouvido e pedalou para casa enquanto ouvia música.


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“Como você dormiu ontem à noite?” Qi Wei perguntou, lançando um olhar para Chi Xiaoduo pelo espelho retrovisor.


“Qiqi”, disse Chi Xiaoduo, “esse assunto não faz a gente parecer íntimo demais?”


Qi Wei caiu na gargalhada. A melhor amiga de Chi Xiaoduo estava sentada no banco de trás, um pouco nervosa porque estavam indo para a aula de judô, e perguntou: “Aquele era o pato que você gosta? Ele tem um porte tão bom, ah, nem parece um.”


Chi Xiaoduo apoiou a testa na mão e disse: "Dá para não chamá-lo assim? Ele não faz esse tipo de trabalho.”


“Xiang Cheng é um homem carinhoso que já foi muito magoado no passado”, disse Qi Wei.


"Você também o conhece?” A melhor amiga de Chi Xiaoduo perguntou. “Como vocês se conhecem?”


Qi Wei respondeu: “Conheci ele um tempo atrás, quando fui passear em Fengdu, a Cidade Fantasma. Ele fazia um bico de guia turístico para ganhar a vida, e eu também acabei trabalhando como guia temporário por alguns meses.”


“Ah, então foi isso…”, a amiga e Chi Xiaoduo trocaram um olhar cúmplice, mas Chi Xiaoduo ainda achou aquilo meio esquisito e perguntou: “E você foi virar guia pra quê?”


“Por diversão.” Qi Wei assobiou novamente, de forma brincalhona. “O valor da vida reside primeiro na experiência e, em segundo lugar, na criação, não é?”


Chi Xiaoduo pensou: Que valor da vida o quê, você só tem dinheiro de sobra para torrar.


Qi Wei deixou os dois na porta da academia de judô. A essa altura, Chi Xiaoduo também já estava começando a ficar meio tenso, mas o curso que Qi Wei tinha contratado para eles era, sem sombra de dúvidas, o pacote ostentação VIP com direito a intensivo de curta duração.


Em vez de passarem pela experiência de serem arremessados de um lado para o outro pelos veteranos como se fossem sacos de pancada logo de cara, eles contavam com um instrutor dedicado exclusivamente para os dois, e um assistente estava à disposição para servir como saco de pancadas particular.


O instrutor ensinou algumas técnicas básicas antes de deixar Chi Xiaoduo e sua amiga praticando sozinhos, enquanto ele ia para o canto tomar um chá kung fu*.


(n/t: *literalmente matar o tempo)


Chi Xiaoduo e a amiga começaram a fofocar enquanto davam pulinhos e brincavam daquela bobagem de “vem, vem, me dá um chute”. Os dois se conheciam desde os cinco anos de idade e, já quase na casa dos trinta, bastava se encontrarem para que a boca não parasse quieta por um segundo — exceto quando estavam comendo, eles passavam o tempo todo conversando.


“Peixinho-mola”, disse a melhor amiga dele. “Como estão as coisas entre você e o Pato-Ge?”


“Carpa-cabeçuda, pare de chamá-lo de ‘Pato’.” Não é que Chi Xiaoduo não quisesse usar o nome da amiga; ele usava o apelido dela desde a infância e, com o tempo, acabou até esquecendo o nome verdadeiro dela.


“Pare de enrolar.” A amiga disse. “Deixa o meu Ge te apresentar alguém. No grupo de WeChat dele — só com gente alta, bonita e rica — tem um monte de caras que curtem brincar com ‘zeros’. Você é tão divertido, deixa alguém brincar um pouco com você.”


“Para com isso; o Xiang Cheng é hétero.” Chi Xiaoduo bloqueou a tentativa da amiga de lhe dar um chute e perguntou: “Você acha que minhas chances de dobrar ele são altas?”


“Ele é um ‘Pato’”, disse a melhor amiga, impaciente. “Por que falar que ele é hétero? Você acha que esses caras não entendem disso? A laoniang tá te avisando: eles sabem de tudo e mais um pouco!”


“Você está aqui para arranjar um namorado ou para bancar a mulher durona, hein?” Chi Xiaoduo disse pacientemente. “Já te falei tantas vezes! Você precisa parar de se referir a si mesma como ‘laoniang’ e mudar para ‘renjia⁵’! Esta pessoa!”


“Deixa esta pessoa te falar uma coisa”, disse a melhor amiga com seriedade. “O Xiang Cheng com certeza sabe que você gosta dele, mas só fica te enrolando porque você tá disposto a dar dinheiro para ele! Comprar coisas para ele! Lao… esta pessoa te aconselha que essa situação não vai dar em nada. É melhor você arrumar alguém confiável de verdade.”


Chi Xiaoduo ignorou completamente os esforços incansáveis ​​da melhor amiga e perguntou: “O que devo fazer se quiser que um homem hétero se apaixone por mim?”


"Ei, Lao... esta pessoa está falando com você, então preste atenção”, disse a melhor amiga. “Por que os homens amam as mulheres? Você tem que fingir que não sabe fazer nada, fazer uma cara de ‘fofinha’, esperar sempre que cuidem de você e te alimentem, e chorar de um jeito manhoso enquanto faz graça. Quando não estiver fazendo graça, estará se preparando para fazer graça; assim, ele vai achar que você não consegue viver sem ele."


“Pessoas que vivem de agir de forma graciosa e cativante conseguem despertar nos homens o desejo de protegê-las; eles vão querer cuidar de você e garantir a sua segurança. Normalmente, você deve ser afetuoso, mas sem ser agressivo ou intenso demais; não pode sair por aí chorando e gritando sem motivo quando tudo vai bem. Também não pode agir como se soubesse de tudo; é preciso agir com sensatez e, ocasionalmente, deixar que ele perceba que você depende dele. Faça com que ele se sinta necessário, que se sinta muito importante e que o mundo não consegue viver sem ele.”


“Nunca tente controlar cada passo da vida dele; você tem que adorá-lo, agradar aos seus gostos, acertar o tom e o momento certo, e elogiá-lo de coração. Além de tudo isso, você ainda precisa ser algo como ‘uma beleza deslumbrante vinda do Norte, cuja graciosidade reina absoluta e soberana⁶’’. Pelo menos um dinheirinho você tem que ter, assim, quando ele te encher o saco, você se toca e se esconde em outro lugar para ser um lótus-branco quieto no seu canto. Quando ele precisar de você, deve agir como um passarinho e voar para o lado dele… Você deve confiar nele e evitar tentar cavar seus sentimentos ou seu passado. Deve trazer uma casa como dote e, por vontade própria, incluir o nome dele na escritura. Se ele tiver irmãos, não pode reclamar de forma alguma sobre como ele ajuda a família. Você deve demonstrar respeito e devoção à mãe idosa dele, aproximar-se do irmão mais novo e valorizá-lo diante de outras pessoas…”


“Por que sinto um ressentimento tão profundo enquanto ouço isso?” Chi Xiaoduo interrompeu seus movimentos e perguntou: “O encontro às cegas da semana passada correu bem?”


A melhor amiga respondeu: “É claro que não! Agora deu para entender?”


“O ponto principal é deixar que ele cuide de mim”, disse Chi Xiaoduo. “Choramingar de forma lamentável enquanto faz cara de fofo. Entendi.”


“Use o instrutor para praticar.” A melhor amiga fez um sinal para Chi Xiaoduo atrair o instrutor de judô. “Desperte nele aquele instinto masculino de proteger os mais fracos; vai lá.”


Chi Xiaoduo: “……”


Chi Xiaoduo bolou um plano para fazer manha enquanto caminhava a passos lentos até a frente do instrutor e simplesmente se jogou no chão, ficando completamente imóvel.


Instrutor: “Levante-se logo, o que houve?”


“Estou fingindo de morto”, disse Chi Xiaoduo, inclinando a cabeça.


O instrutor deu uma gargalhada gostosa, pegou Chi Xiaoduo no colo e o colocou sentado no tatame. Do outro lado, a amiga fez um sinal de Bingo! com a mão — plano fofura: sucesso absoluto.


𓆝 𓆟 𓆞


À noite:


“Já podemos comer?” Chi Xiaoduo perguntou com um ar de coitadinho. “Estou morrendo de fome.”


“Já vai sair”, respondeu Xiang Cheng, ocupado na cozinha, olhando para trás. “O treino foi muito cansativo?”


“Hm.” Chi Xiaoduo deixou-se cair, todo molenga, sobre a mesa de jantar, segurando os hashis sobre a cabeça como se fossem antenas e balançando-os de um lado para o outro, num movimento lento como o de um caracol. “E foi chato também. Senti sua falta.”


“Vou te deixar lá amanhã e depois sair para resolver umas coisas; quando terminar, volto para assistir ao seu treino”, respondeu Xiang Cheng. “Tem alguém te incomodando?”


Chi Xiaoduo sentiu que sua tentativa de parecer fofo tinha funcionado. É claro que ele não podia deixar Xiang Cheng ir de verdade — caso contrário, não conseguiria fofocar com sua melhor amiga.


Depois de comer até se fartar, Chi Xiaoduo deitou-se preguiçosamente no sofá e soltou um arroto.


Xiang Cheng: “Vá tomar banho.”


“Comi demais…”


Chi Xiaoduo não conseguia fazer nada quando estava com fome, nem quando estava cheio, nem quando sentia calor, nem quando sentia frio. Ele se sentia mal quando estava feliz demais e também quando estava triste; até mesmo Chi Xiaoduo achava que estava dando muito trabalho naquele momento.


Xiang Cheng: “……”


"Levante-se e assista à TV." Xiang Cheng o levantou e o acomodou encostado no sofá. Chi Xiaoduo escorregou lentamente de novo e Xiang Cheng — que nem tinha lavado a louça ainda — pegou uma almofada para apoiá-lo. Chi Xiaoduo arrotou mais uma vez e ficou observando Xiang Cheng lavar a louça.


Enquanto lavava, Xiang Cheng virou-se e olhou para Chi Xiaoduo, cruzando o olhar com o dele.


“O que você está olhando?” Xiang Cheng perguntou com indiferença.


“Vendo você lavar a louça”, disse Chi Xiaoduo. “Essa posição está desconfortável.”


Xiang Cheng secou as mãos, aproximou-se e o ajudou a mudar de posição.


“Você não vai mais lavar?” Chi Xiaoduo perguntou.


“Faço isso mais tarde.” Xiang Cheng pegou o controle remoto e ligou a TV.


Chi Xiaoduo pensou consigo mesmo: Missão cumprida — a estratégia de ser fofo funcionou.


“Se não tiver ninguém para cuidar de você, você morre de fome”, provocou Xiang Cheng, rindo. “Se eu for viajar para longe, vou ter que te carregar dentro da bolsa.”


“É, isso funcionaria”, disse Chi Xiaoduo. “Só não me mande para um aquário; as enguias-elétricas e os polvos vão implicar comigo.”


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No dia seguinte, Chi Xiaoduo saltitava de um lado para o outro, desviando-se dos chutes giratórios de sua melhor amiga enquanto ela também desviava dos dele.


“Vocês estão completamente apaixonados, hein!” A melhor amiga disse. "Que homem hétero diria ‘vou te carregar dentro da bolsa’ assim do nada?”


“Sério?” Chi Xiaoduo perguntou. “Vai ver o que ele quis dizer é que vai me esquartejar e colocar meus pedaços em quatro sacos de lixo diferentes.” Enquanto dizia isso, ele desviou de um chute que visava bem a sua virilha.


Melhor amiga: “……”


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Durante quase um mês, Chi Xiaoduo agiu de forma fofa à noite e relatava o progresso a sua melhor amiga durante o dia. Nesse ritmo, ele aprendeu com sucesso um pouquinho de como fazer um arremesso por cima do ombro e uma rasteira com o joelho. Ele pegou-se pensando que, no fim das contas, parecia ter cumprido sua missão com sucesso… Espera aí, por que diabos ele estava tratando as aulas de judô como uma “missão”? Que missão?!


Enquanto isso, a transição do seu pedido de demissão no trabalho também foi concluída com tranquilidade. Ele aproveitou para pegar seu certificado oficial e seu carimbo profissional que acabavam de ser emitidos, correndo radiante de alegria para mostrar tudo a Xiang Cheng.


“Esse certificado aí rende 500 mil em três anos?” Xiang Cheng perguntou.


“Sim, sim.” Chi Xiaoduo disse: “Há muitos institutos de design e empresas de proteção ambiental que estão por aí disputando esses certificados.”


Xiang Cheng achou aquilo totalmente inacreditável: era possível receber uma bolada de quinhentos mil sem fazer absolutamente nada — bastava ceder o certificado a um instituto de design. Segundo Chi Xiaoduo, ele poderia até manter o certificado em sua posse; bastava as partes envolvidas checar, assinar o contrato e entregar uma pasta cheia com todas as cópias e documentações necessárias.


“No que você esteve ocupado ultimamente?” Chi Xiaoduo notou que Xiang Cheng passava cada vez menos tempo em casa. Depois de levá-lo para a aula todos os dias, Xiang Cheng saía pedalando a bicicleta para sabe-se lá onde.


“Estou procurando emprego”, disse Xiang Cheng.


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Junho chegou a Guangzhou, trazendo consigo o calor do verão. Ao ver Xiang Cheng encharcado de suor todos os dias, Chi Xiaoduo pensava: Ele não voltou para o emprego antigo, voltou? Além disso, Xiang Cheng parecia carregar preocupações complexas em seu íntimo. Chi Xiaoduo queria encontrar um emprego adequado para Xiang Cheng, mas temia ferir a autoestima dele, como acontecera quando lhe comprara o celular da última vez.


Embora Xiang Cheng estivesse muito feliz usando seu novo celular, Chi Xiaoduo refletia sobre como encontrar, de maneira discreta, um trabalho que fosse decente e bem remunerado, mas que não despertasse em Xiang Cheng a suspeita de que o volume de trabalho e o salário não eram compatíveis. Era realmente uma dor de cabeça. Naquele dia, assim que obteve seu certificado e o exibiu em seus “Momentos”, Wang Ren ligou.


“Ei, Chi Xiaoduo”, disse Wang Ren. “Cadê o meu segurança? Quando ele vem trabalhar?”


Chi Xiaoduo: “……”


“Vou pendurar meu certificado aí para você agora mesmo”, disse Chi Xiaoduo. “Não precisa dizer mais nada.”


Chi Xiaoduo lançou um olhar para Xiang Cheng, que estava sentado no sofá assistindo à TV com uma feição inexpressiva.


“Por que você não se vende para mim também?” Wang Ren disse. “Já se divertiu o suficiente? Venha trabalhar amanhã.”


“Não…” lamentou Chi Xiaoduo, virando-se de bruços no sofá para aproveitar o sol. “Eu não vou trabalhar!”


“Não estou falando de você”, disse Wang Ren. “Você nem trabalha mais. É divertido ficar em casa todo dia só fazendo companhia para um pato? Você não trabalha, e o pato também não vai trabalhar?”


“Ele vai, sim”, disse Chi Xiaoduo.


“Se o pato não trabalhar”, disse Wang Ren, “o orgulho dele como homem não vai ficar ferido?”


Aquele comentário tocou em um ponto sensível; Chi Xiaoduo lançou um olhar furtivo para Xiang Cheng pelo canto do olho.


“Vou te procurar amanhã”, disse Chi Xiaoduo. “Vamos resolver a questão do certificado e conversamos melhor quando nos encontrarmos. Estou recebendo outra ligação agora, então não dá para continuar falando com você.”


Chi Xiaoduo desligou e atendeu a outra chamada; era de Qi Wei.


“Xiaoduo?” A voz de Qi Wei trazia um sorriso. “Tenho um assunto para resolver e queria ‘pegar emprestado’ o Xiang Cheng da sua família por um tempo; tudo bem?”


Chi Xiaoduo: “???”


Xiang Cheng aproximou-se, pegou o telefone da mão de Chi Xiaoduo e soltou um “hum” desinteressado. Com exceção de Chi Xiaoduo, ele parecia manter uma atitude indiferente em relação a todos, pronunciando frases simples e poucas palavras de cada vez.


“Entendido.”


“Conversamos mais tarde”, disse Xiang Cheng. “Vou pensar a respeito.”


Chi Xiaoduo olhou para Xiang Cheng com uma expressão de indagação.


Xiang Cheng disse: “Talvez eu tenha que ir a Pequim em alguns dias.”


Chi Xiaoduo: “Vai ficar quanto tempo? Vou arrumar suas malas, você já comprou a passagem?”


“Sou só eu que vou”, respondeu Xiang Cheng. “Vou resolver uma coisa para o Qi Wei; além disso, tenho uma prova para fazer enquanto estiver lá.”


“Que prova?” Chi Xiaoduo perguntou.


“Para um certificado”, disse Xiang Cheng. “Volto logo; não precisa se preocupar.”


Chi Xiaoduo seguia atrás de Xiang Cheng e perguntou: “Que certificado?”


Xiang Cheng respondeu casualmente: “Exor一 Registrado de Primeira Classe Nacional…”


Chi Xiaoduo: "???”


“Exor…” Xiang Cheng parou de falar, virou-se para olhar para Chi Xiaoduo e disse: “Me dê um mês.”


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Notas:


1 静静是谁?(Jìngjìng shì shéi?): Esta é uma piada extremamente popular da internet chinesa. O nome próprio “Jingjing” (静静) soa exatamente igual à palavra “quieto/em paz” (静静). A piada clássica consiste em dizer “Quero a Jingjing” e alguém perguntar “Quem é Jingjing?”. Por isso CXD esta agindo assim.


2 带我装逼带我飞 (dài wǒ zhuāngbī dài wǒ fēi): Gíria de internet ultra popular; significa que alguém é muito bom.


3 借坡下驴 (jiè pō xià lǘ): expressão idiomática popular que significa literalmente “descer do jumento aproveitando o declive”. Quer dizer aproveitar uma oportunidade trazida pelo próprio contexto para escapar de um dilema, mudar de assunto ou aceitar algo com conveniência.


4 窗户纸一捅破 (chuānghuzhǐ yī tǒngpò) as janelas antigas eram feitas de papel, então se você fizesse um furo nelas, a luz entraria, mas agora a janela está arruinada.


5 人家 (rénjia): Pronome usado por garotas (ou em tom de fofura/coquete) para se referirem a si mesmas de forma delicada e dengosa. Significa “esta pessoa”.


6 北方有佳人,遗世而独立 (běifāng yǒu jiārén, yíshì ér dúlì): Citação clássica do famoso poema de Li Yan Nian (Dinastia Han), que faz referencia ao fato de que belezas independentes e incomparáveis são difíceis de encontrar.


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Flor: Xiao-mola, você não precisa dobrar o Xiang Cheng! Ele ja tá caidinho por você rs



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