Extra: Festival do Meio Outono 2026
(III) Dinghai
Roma, Itália
“Ele veio aqui apenas a passeio”, explicou Chen Xing, com toda a paciência ao fiscal de segurança alimentar. “Ele é filho de um parente distante, não funcionário da loja.”
Xiao Shan estava sentado atrás do balcão, com uma expressão de total perplexidade. Ele quase acabou sendo preso após a polícia ser chamada — uma situação agravada pelo fato de estar em um lugar desconhecido e não falar o idioma. Ele achou que Chen Xing tivesse feito alguma besteira e quase saiu correndo pela porta. Chen Xing explicava a situação ao inspetor enquanto fazia sinais para Xiao Shan não fugir de jeito nenhum — do contrário, com certeza ele próprio acabaria levado para a delegacia.
“Sim... Não! Quer dizer, não!” Chen Xing disse. “Ele só estava me ajudando a receber o dinheiro no caixa. O visto dele está bem aqui. Céus! Não, por favor, não levem ele!”
Um fiscal de segurança alimentar local, que realizava uma inspeção surpresa nas proximidades da Piazza Vittorio¹, chamou a polícia imediatamente ao descobrir que o estabelecimento empregava um menor de idade sem as devidas autorizações de trabalho. Chen Xing, que estava no meio da pesagem de pés de galinha marinados para um cliente, por pouco não acabou sendo levado pelas autoridades.
Estava tudo acabado. Chen Xing não teve outra escolha a não ser ligar para seu patrão, rezando para não perder aquele emprego tão difícil de conseguir…
Mas, de repente, as coisas mudaram: um homem alto e magro, de terno e óculos escuros, entrou — e ainda bateu a cabeça no batente da porta.
Ao notar que o homem tinha as feições e a cor de cabelo de uma pessoa asiática, Chen Xing disse: “Hoje não teremos como atender. Por favor, volte outro dia.”
O homem acenou com a mão e disse algumas palavras em italiano para o fiscal. Após uma breve conversa entre os dois, o fiscal passou apenas uma multa simbólica para Chen Xing, ordenando que ele regularizasse a situação o mais rápido possível, antes de ir embora com o grupo.
A gratidão de Chen Xing estava estampada em seu rosto; ele nem sabia o que dizer.
“Obrigado, muito obrigado”, disse Chen Xing. “Ele é filho de um parente meu, veio passar as férias de verão e volta depois de amanhã.”
O homem não disse nada, com a pose de um chefão. Chen Xing olhou para fora da loja através da porta de vidro e viu alguns membros da gangue vestindo trajes formais. Ele entendeu mais ou menos o que estava acontecendo — não fazia muito tempo, um subordinado dessa gangue tinha vindo comprar petiscos marinados e, não querendo ver a loja fechar as portas, então, ao passarem por ali, deram uma mãozinha.
Chen Xing estudava e trabalhava por lá, já estando no terceiro ano da faculdade. Para ganhar um dinheirinho extra, ele arranjou um emprego em uma loja de petiscos marinados² que ficava num beco atrás da Piazza Vittorio, no coração da comunidade chinesa. Seguindo a “receita secreta ancestral” do proprietário (que, na verdade, tinha sido copiada do Xiaohongshu³), todo dia ele marinava alguns pés de frango, pescoços de pato, asas variadas e uns dois ou três frangos inteiros, além de moldar uns dez jin* de guiozas para vender tanto aos moradores locais quanto para a comunidade chinesa.
(n/t: *Um jīn equivale a 500g. Dez jīn correspondem a 5 kg.)
Quando Chen Xing assumiu o restaurante, a cozinha estava uma completa bagunça. Ele se esforçou para organizar tudo e fez ajustes nos pratos para que refletissem os sabores de sua terra natal. Isso garantiu ao estabelecimento uma nota de 4,8 estrelas no Google Maps — embora, na verdade, a maioria dos clientes ficasse feliz em deixar uma avaliação de cinco estrelas simplesmente porque ele era bonito e, de vez em quando, oferecia saladas como cortesia.
O patrão quase nunca aparecia, limitando-se a providenciar a entrega de suprimentos; seu negócio principal era uma outra loja de sobremesas. Na maior parte dos dias, Chen Xing chegava ao trabalho após sair da aula, às 15h, ele preparava a comida para marinar, começava a vender às 17h e fechava a loja às 20h. Todo mundo ali perto adorava a comida marinada que ele fazia — inclusive os membros da gangue.
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“Pode escolher o que quiser comer”, disse Chen Xing, agradecido do fundo do coração àquele jovem chefão da gangue. “É por conta da casa.”
O homem colocou um cartão de visitas sobre o balcão dos petiscos. O cartão era preto, com letras gravadas em dourado: Alessandro Xiang.
“Senhor Alessandro Xiang…” leu Chen Xing.
“Xiang Shu”, respondeu o homem, de maneira casual. “Esse é o meu nome chinês.”
“Olá, muito obrigado mesmo”, disse Chen Xing profundamente comovido. Estando em terras estrangeiras, alguém de repente apareceu para defendê-lo e ajudá-lo. No momento em que aquele homem surgiu, toda a loja de petiscos parecia tomada por uma verdadeira aura de cavalheirismo!
Xiang Shu tirou os óculos escuros e, no mesmo instante, revelou uma beleza marcante: suas feições refinadas, nariz de ponte alta, olhar melancólico e sobrancelhas de espada — tudo isso realçado enquanto ele inclinava levemente a cabeça sob as luzes brilhantes que iluminavam os alimentos —, deixou Chen Xing completamente incapaz de desviar o olhar. Aquele perfil era mais bonito do que o de qualquer modelo italiano nos desfiles de Florença, aaaaahh!
Xiang Shu olhou para a comida e depois para Chen Xing.
“Foi você que fez tudo isso?” Xiang Shu perguntou.
“S-sim”, respondeu Chen Xing, encarando-o fixamente — seu modo “apreciador de beleza” estava totalmente ativado, já que ele sempre teve uma queda por homens bonitos e pessoas atraentes.
Xiang Shu lançou um olhar para a lista de preços ali perto, que dizia:
“Guiozas de cebolinha, 500g – 9,80 EUR (18 unidades)”
“Você também montou os guiozas?” Xiang Shu perguntou novamente.
“Uh-hum”, disse Chen Xing. “Embora as massas não fui eu que fiz. Quer experimentar?”
Os subordinados atrás de Xiang Shu entraram em massa, enchendo a loja de repente. O coração de Chen Xing, que acabara de se acalmar, disparou outra vez — será que vieram cobrar “taxa de proteção”? Estarão conferindo o faturamento diário da loja? Não pode ser! Isso é um negócio pequeno demais! Mas, mesmo assim, taxa de proteção não é comigo, é problema do patrão né, hmm…
“Eu sou apenas o atendente aqui”, disse Chen Xing. “Quer que eu chame o patrão?”
“Não precisa”, respondeu Xiang Shu.
“Este é o nosso chefão da Facção Tongxing…” começou a apresentar um dos subordinados ao lado, mas foi imediatamente interrompido por um olhar impaciente de Xiang Shu.
“Suas línguas de pato estão muito bem preparadas.” Xiang Shu lembrou de algo e assumiu uma expressão séria.
“Ah!” Ainda de luvas, Chen Xing pegou prontamente uma marmita e encheu com as línguas de pato para ele. “Aqui, leve todas! Elas combinam com vinho tinto, especialmente Valpolicella — é ótimo para beber enquanto assiste a um jogo.”
Quanto mais cedo ele entregasse tudo, mais cedo poderia encerrar o expediente e ir embora; Chen Xing tinha certeza de que o patrão não o culparia por isso.
“Você pode me ensinar a cozinhar?” Xiang Shu perguntou de repente; fazendo um pedido surpreendente.
Chen Xing: “???”
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
No entardecer do dia seguinte.
Xiang Shu dirigiu pessoalmente um Audi para levar Xiao Shan e Chen Xing ao aeroporto. Enquanto isso, Chen Xing continuava recomendando a Xiao Shan: “Quando chegar lá, obedeça à sua mãe”.
Xiang Shu usava óculos escuros e ficou ao lado observando os dois.
Chen Xing finalmente mandou Xiao Shan embora.
“Ontem pensei que ele fosse seu filho”, disse Xiang Shu casualmente.
Chen Xing: “É meu sobrinho. Eu ainda estou na faculdade, como é que eu ia ter um filho?”
Xiang Shu: “Entre os italianos⁴ nessa idade, muita gente já tem filho.”
Chen Xing: “E você? É casado?”
Xiang Shu: “Não. Sou gay. Não é tão fácil encontrar um parceiro como é para os héteros.”
Chen Xing: “……”
Chen Xing pensou: Você é bem sincero, hein.
Xiang Shu: “Vamos?”
Chen Xing: “Ah… claro, m-mas, para onde?”
Xiang Shu assumiu o volante novamente e o levou de volta em direção ao centro da cidade.
Chen Xing notou que o olhar de Xiang Shu parecia um tanto estranho; enquanto dirigia, ele virava a cabeça de vez em quando para olhar para ele de soslaio.
Chen Xing: “Tem algo no meu rosto?”
Xiang Shu: “Ontem você estava de máscara, hoje não está. Você parece um pouco diferente.”
Chen Xing: “Ah, ha-ha-ha!”
Xiang Shu: “Mas na maior parte do tempo eu estava olhando pelo retrovisor, não para você.”
Chen Xing: “…………”
Chen Xing sentiu-se um pouco sem jeito, mas, felizmente, alguns minutos depois, Xiang Shu ligou o som do carro — a ópera A Flauta Mágica⁵ começou a tocar, o que ajudou a aliviar o clima.
“Na verdade, eu também sou... gay”, disse Chen Xing, tomando coragem.
“Ah”, respondeu Xiang Shu, assentindo com a cabeça.
“Você é… o gong ou o shou?” Chen Xing nem sabia por que tinha perguntado aquilo.
“Gong, suponho?” Xiang Shu, surpreendentemente, deu continuidade à conversa. “E você?”
“Eu sou o shou”, respondeu Chen Xing.
“Hmm.” Xiang Shu não disse mais nada. Dentro do carro, o refrão da música — “ah ah ah ah ah ah——” — ecoava, criando uma atmosfera um tanto peculiar.
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
De volta à loja de petiscos marinados, Chen Xing cumpriu sua promessa e começou a ensinar culinária básica a Xiang Shu. Xiang Shu tirou o terno, ficando apenas de camisa branca e calça social, e depois vestiu o avental.
Meu Deus! Tão lindo! Chen Xing estava quase se rendendo. O cabelo de Xiang Shu é um pouco cacheado, seja com permanente ou natural. Suas roupas e aparência eram requintadas e elegantes, até parecia como uma celebridade participando de um reality show!
“Primeiro... vamos preparar os ingredientes”, disse Chen Xing. “Vamos lavar bem as línguas e os pescoços de pato. Como somos só nós dois aqui, o que fizermos não vai ser vendido aos clientes. Basta usar este tipo... hmm, de máscara transparente de plástico.”
Na verdade, ele só queria passar mais um tempo admirando o belo rosto de Xiang Shu.
Xiang Shu arregaçou as mangas da camisa, colocou as luvas e demonstrou um pouco de impaciência ao ouvir essas palavras, mas manteve-se educado e perguntou: “Podemos prosseguir com o processo em si?”
“Este é o processo em si”, respondeu Chen Xing. “Você não quer colocar a mão na água?”
Xiang Shu: “O trabalho de picar e preparar os ingredientes⁶ meus subordinados cuidarão disso.”
Chen Xing disse: “Então, você já está familiarizado com o preparo — mas, se quiser que a comida fique realmente saborosa, precisa fazê-la você mesmo. Os ingredientes que a gente manuseia carregam os nossos sentimentos. Vem, eu farei junto com você.”
Xiang Shu não teve escolha senão obedecer. Felizmente, para a aula, Chen Xing tinha preparado poucos ingredientes. Nesse momento, chegaram clientes na parte da frente da loja, e Chen Xing foi até lá para atender e cobrar.
“Professor”, chamou Xiang Shu. “O timer dos ovos cozidos está apitando.”
“Passe-os em água fria e, depois, descasque-os”, respondeu Chen Xing, lançando um olhar para trás.
O cliente, ao avistar Xiang Shu pela abertura que ligava a parte da frente à parte de trás da loja, ficou completamente boquiaberto — e, num instante, pequenas bolhas cor-de-rosa começaram a flutuar ao redor de sua cabeça.
“Vinte e dois euros.” Chen Xing mudou de posição, bloqueando a visão do cliente.
O cliente mudou de ângulo, e Chen Xing mudou de ângulo junto, pensando: Vai comprar seu petisco marinado e pronto! Nada de ficar secando o gato da minha cozinha!
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
Depois de receber o dinheiro, Chen Xing voltou para a cozinha e descascou os ovos junto com Xiang Shu.
“Tente não quebrar a clara”, disse Chen Xing.
Xiang Shu estava concentrado na tarefa; ao estender a mão direita para pegar um pano, sua palma larga roçou, sem querer, na mão de Chen Xing — chegando até a segurar de leve seus dedos.
Chen Xing: “!!!”
O coração de Chen Xing disparou. Os dois estavam usando luvas finas de silicone coladas à pele; ao se tocarem através do silicone, o calor corporal se transmitia, criando imediatamente um clima ambíguo.
Xiang Shu lançou um olhar para Chen Xing, e nenhum dos dois disse nada.
“Escalde estes ingredientes”, disse Chen Xing.
“Tá bom.” Não restava qualquer vestígio da aura imponente de um líder de gangue em Xiang Shu — ele simplesmente fazia tudo o que Chen Xing lhe pedia.
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“Pronto, agora vamos começar a preparar o caldo do marinado”, disse Chen Xing. “Essa parte é fundamental: açúcar mascavo, anis-estrelado, cravo-da-índia, canela… os ingredientes estão todos prontos, olha só.”
“Tem bastante coisa”, disse Xiang Shu.
“Aqui está a lista”, disse Chen Xing. “É uma receita da minha família. O dono daqui usa uma versão simplificada, mas eu troquei pela minha. Primeiro, vamos refogar as especiarias até que soltem o aroma — esse passo é essencial, mas cuidado para não passar do ponto, senão vai ficar amargo.”
Em seguida, veio o processo de cozinhar lentamente o caldo e prová-lo.
“Por que você não experimenta?” Chen Xing perguntou, servindo uma pequena porção em uma tigela com uma concha.
“Não consigo sentir muita diferença”, respondeu Xiang Shu, voltando a colocar a máscara. “Tem gosto de caldo marinado normal.”
Xiang Shu provou o caldo usando a concha e, depois, ofereceu um pouco a Chen Xing — os dois compartilharam o mesmo utensílio. Enquanto observava aqueles lábios macios e delicados, Chen Xing sentiu o rosto começar a corar.
“Não está ruim”, disse Chen Xing.
Em seguida, veio a adição dos ingredientes; como cada um deles exige um tempo de cozimento diferente, foi preciso adicioná-los em uma sequência específica. Assim que tudo estava cozido, o fogo precisou ser desligado para que os ingredientes pudessem descansar no caldo.
Para passar o tempo, os dois foram para a parte da frente da loja e se sentaram na única mesinha de chá para tomar um café.
“Uau, que cheiro bom——” Uma cliente avistou Xiang Shu e ficou imediatamente chocada.
“O que vai levar?” Chen Xing perguntou, enquanto gritava por dentro: Para de olhar! Compra logo o que tem que comprar e cai fora!
Os petiscos marinados venderam rápido demais naquele dia — antes mesmo das sete da noite, já tinha esgotado tudo. Xiang Shu deu uma rápida saída para dar ordens e, seus subordinados entraram prontamente para ajudar na limpeza e no fechamento do estabelecimento.
Enquanto Chen Xing e Xiang Shu estavam sentados um de frente para o outro, tomando café e aguardando aquela panela de caldo ficar pronta, Chen Xing não pôde deixar de perguntar: “O que fez você decidir, de repente, começar a cozinhar? O pessoal normalmente não pede para aprender a cantar no karaokê?”
Xiang Shu respondeu: “Meu avô já está com uma idade avançada e sente falta dos sabores de sua terra natal. Quis aprender a preparar alguns desses pratos — só para deixá-lo feliz.”
“Ah——” disse Chen Xing, “você é, de fato, um neto muito dedicado.”
Xiang Shu continuou: “Daqui a pouco, pretendo me candidatar a vereador. Aprender um pouco de culinária pode ser útil para fazer guiozas junto com a comunidade nos eventos do bairro.”
“Ah!” Chen Xing passou a olhar Xiang Shu com outros olhos; quem diria que aquele “príncipe” do submundo era, na verdade, tão ambicioso?
Xiang Shu observou Chen Xing e ergueu uma sobrancelha, como se perguntasse: “E quanto a você?”. Ele costumava manter uma postura fria e distante — especialmente diante de seus subordinados —, mas, quando estava perto de Chen Xing, mostrava-se sempre notavelmente amável.
“Eu vim como estudante de intercâmbio”, Chen Xing comentou. “Este é apenas um trabalho de meio período; meus pais tinham um restaurante em Luoyang, então acabei aprendendo um pouquinho.”
Os dedos de Xiang Shu tamborilava inconscientemente na mesa, e ele perguntou: “Estudando o quê?”
“Faço doutorado em Finanças Internacionais”, respondeu Chen Xing.
Xiang Shu perguntou: “Você vai voltar para casa depois de se formar?”
“Depende”, disse Chen Xing com um sorriso. “Ainda não pensei muito nisso. Ah, acho que já deve estar pronto, vamos lá dar uma olhada.”
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Chen Xing desfiou um pedaço do frango para provar e depois deu na boca de Xiang Shu, que comeu exatamente do mesmo lugar onde ele tinha mordido. O caldo de marinado tinha uma cor avermelhada e viva, deixando os ingredientes impecavelmente corados. A pele do frango recém-saído do forno estava num tom dourado-escuro reluzente, e a carne, extremamente macia e suculenta, exalava um aroma delicioso de tempero e gordura.
Xiang Shu: “!!!”
“O tempero ainda não pegou totalmente”, observou Chen Xing, “mas deve estar no ponto ideal para uma pessoa idosa.”
“É praticamente mágica”, disse Xiang Shu.
“Hahaha!” Chen Xing achou a reação dele bastante divertida e perguntou: “Amanhã a gente ajusta um pouco, o que você acha?”
“O sabor está incrível”, respondeu Xiang Shu.
“Você precisa ajustar o tempero de acordo com o gosto de quem vai comer”, provocou Chen Xing. “Isso se chama amor! Quando a gente cozinha, tem que fazer pensando em quem ama. Seja para a família ou para a pessoa amada, só assim a comida fica gostosa de verdade. Pronto, agora vamos embalar tudo e mandar para os seus subordinados.”
“Vou guardar para eu mesmo comer. Vem, eu te levo para casa”, ofereceu Xiang Shu.
Xiang Shu não mencionou pagamento, e Chen Xing não tinha a menor intenção de cobrar. Afinal de contas, ensinar um homem tão bonito a cozinhar era, por si só, um verdadeiro deleite.
Ao ser deixado na rua, em frente ao seu dormitório, a lua começou a surgir.
Xiang Shu, com uma mão no volante, virou a cabeça para olhar Chen Xing: “Até amanhã.”
O coração de Chen Xing disparou; vindo de algum lugar ao longo do beco, as notas de Turandokht⁷ flutuavam pelo ar:
“Aquele brilho das estrelas que cintilam por amor e esperança…”
“Mas o segredo está guardado no meu coração, ninguém sabe o meu nome…”
“Até o amanhecer iluminar a terra⁸…”
Chen Xing, num gesto inconsciente, cheirou as próprias roupas e depois aproximou-se para cheirar Xiang Shu, ficando um pouco sem jeito.
Xiang Shu de repente começou a rir: “O que foi?”
“Cheiro de erva-doce”, disse Chen Xing: “É bem gostoso. Até amanhã!”
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
Naquela noite, talvez por causa do café, Chen Xing virou de um lado para o outro, sem conseguir dormir.
No dia seguinte, ele estava cochilando durante a aula, mas, ao sair do campus, a visão do Audi de Xiang Shu à sua espera fez com que ele despertasse na mesma hora.
“Hoje vamos continuar o marinado. O que acharam do prato de ontem? Agora é você quem vai separar os temperos!”
“Tá bom”, respondeu Xiang Shu.
Chen Xing percebeu que Xiang Shu não era apenas bonito, mas também extremamente perspicaz — parece que pessoas inteligentes aprendem as coisas rapidamente, não importa o que estejam fazendo.
“No tempo que sobrar, vamos fazer guiozas”, disse Chen Xing. “Começando por amassar a massa.”
Na maior parte do tempo, Xiang Shu não falava muito. Com as mangas arregaçadas e o avental vestido, fazia tudo o que Chen Xing mandava — mas aquele silêncio não parecia indelicado, porque os dois trocavam olhares com frequência.
“Você realmente sabe fazer isso!” Chen Xing exclamou, bastante surpreso.
“Aprendi um pouco com minha avó antes”, respondeu Xiang Shu. “Ela também costumava provar o recheio.”
Xiang Shu tirou a luva, provou o tempero do recheio com o dedo e, em seguida, estendeu esse dedo na direção de Chen Xing.
Chen Xing: “!!!”
Com o rosto corado, Chen Xing provou o que estava no dedo de Xiang Shu — um gesto que ultrapassava, e muito, os limites de um relacionamento normal, especialmente considerando que ambos eram gays.
Chen Xing avaliou: “Está faltando um pouco de sal.”
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“O marinado de hoje ficou muito bom!” Chen Xing exclamou, surpreso, enquanto fechavam a loja.
“É porque você me ensinou bem”, respondeu Xiang Shu. “O que vamos aprender amanhã?”
“Vamos prepará-los novamente amanhã; se tudo correr bem, você já terá dominado a técnica”, disse Chen Xing. “E as guiozas também ficaram ótimas! Já daria até para abrir seu próprio restaurante.”
Xiang Shu assentiu, perdido em pensamentos. Como de costume, ele acompanhou Chen Xing até em casa, estacionando o carro logo na entrada do beco.
“Ainda tá cedo, quer ir lá em casa passar um tempo?” Xiang Shu convidou, de repente.
“Fica para a próxima”, respondeu Chen Xing, sentindo-se bastante nervoso. “E o que a gente faria, afinal?”
“Muita coisa”, disse Xiang Shu. “O que você quiser.”
Percebendo que Xiang Shu talvez estivesse apenas brincando com ele, Chen Xing disse: “Ainda tenho lição de casa para fazer! Que tal amanhã?”
Xiang Shu assentiu. Enquanto Chen Xing soltava o cinto de segurança e se virava para se despedir, Xiang Shu pegou uma caixinha no porta-luvas e disse: “Aqui, para você.”
“Ah!” Chen Xing abriu um sorriso radiante. “Obrigado!”
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
Ao subir apressadamente para o segundo andar do dormitório, ele notou que o carro de Xiang Shu ainda estava estacionado à beira da estrada. Foi só quando entrou no quarto e acendeu as luzes que ouviu o som do veículo se afastando.
Pensando em como Xiang Shu aprendia rápido, Chen Xing sentiu de repente uma melancolia. Talvez em mais alguns dias eles não se vissem mais.
Chen Xing desembrulhou o presente e descobriu uma fragrância da “família âmbar”, com notas de laranja, tangerina e madeira, realçadas por um toque de erva-doce.
Ele borrifou um pouquinho na manga da roupa e aproximou o tecido para sentir o cheiro.
Ah! Aquele era exatamente o perfume de Xiang Shu! Não era cheiro dos temperos da cozinha, era perfume mesmo! Era o perfume que ele costumava usar no dia a dia! Chen Xing achou isso bastante divertido: Xiang Shu tinha dado a ele um frasco da sua própria fragrância.
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Mais um dia se passou. Depois de se reunir com o orientador e entregar o rascunho inicial da tese, Chen Xing voltou para a loja de marinados.
Mas, naquele dia, Xiang Shu não apareceu. Chen Xing se deu conta de que nem tinha o número dele, e esse pensamento o deixou ainda mais desanimado; ele começou a suspeitar que o sujeito não passava de um mulherengo.
A comida esgotou rapidamente, mas Chen Xing manteve a loja aberta, ainda à espera de Xiang Shu. Afinal, os dois dias seguintes seriam de folga e ele não precisaria ir à faculdade.
Por volta das 21h30, Chen Xing começou a ficar irritado — dar um bolo assim era, no mínimo, uma falta de educação!
Mas, apesar da raiva, Chen Xing foi até a cozinha nos fundos e começou a preparar algo gostoso, pretendendo retribuir o presente de Xiang Shu.
Perto das dez horas, a cozinha já estava arrumada, e todas as lojas da rua inteira haviam fechado as portas. Só a luz daquela loja continuava acesa.
De repente, barulhos desordenados vieram da parte da frente. Chen Xing tomou um susto e correu para ver o que era.
Era Xiang Shu. Ele estava ferido, com a camisa manchada de sangue, e entrou cambaleando!
“Xiang Shu!” Chen Xing, aterrorizado, correu para segurá-lo. O corpo alto e pesado de Xiang Shu apoiou-se com tudo na mesinha de chá, derrubando-a com estrondo.
“Alguém está me causando problemas”, disse Xiang Shu, respirando com dificuldade. “Apague a luz. Você tem algum remédio e curativos?”
“Rápido, entre!” Chen Xing ajudou-o a entrar na cozinha, apagou rapidamente as luzes de toda a loja e perguntou: “Você não levou um tiro, levou?”
“Fui atingido duas vezes”, disse Xiang Shu, com a voz entrecortada na escuridão. “Pegou de raspão no braço e no ombro, e acho que quebrei uma costela. Não se preocupe; só preciso descansar um pouco.”
Usando a lanterna do celular para iluminar, Chen Xing encontrou alguns remédios para estancar o sangramento. Lá fora, o som de passos e o latido de cães ecoavam pelo beco.
Chen Xing ficou ainda mais nervoso. Pegou uma faca da mesa, segurou-a na mão e, curvado, quis ir até o balcão da parte da frente para proteger Xiang Shu — mas Xiang Shu agarrou seu pulso, puxando-o para impedi-lo de sair.
Os latidos continuaram ecoando de forma intermitente pelo beco. Chen Xing estava no limite do nervosismo, tremendo da cabeça aos pés.
“Não faça nenhuma loucura”, sussurrou Xiang Shu bem baixinho. “Você não é páreo para eles.”
Na escuridão, ouvia-se apenas a respiração ofegante de Chen Xing e Xiang Shu. Chen Xing sentia como se o inimigo pudesse arrombar a porta a qualquer instante — mas, naquele momento crítico e fugaz, Xiang Shu segurou seu pulso, retirou delicadamente a faca de cozinha de sua mão e, num movimento fluido, pousou a palma da mão na nuca de Chen Xing.
Lábios macios e quentes pressionaram os seus. A mente de Chen Xing ficou completamente em branco ao ser beijado por Xiang Shu.
Quando os lábios se separaram, os latidos já estavam se afastando aos poucos.
Chen Xing acendeu novamente a lanterna de seu celular, iluminando o rosto de ambos. Ele encarou Xiang Shu, atônito. Xiang Shu, ainda segurando a faca de cozinha e pronto para avançar, percebeu que o perigo havia passado e baixou a lâmina lentamente.
Os dois ficaram em silêncio diante um do outro; Chen Xing, sem perceber, umedeceu os lábios.
“Eu só queria te dizer isso”, disse Xiang Shu, com a voz baixa e firme, iluminado pela luz branca do celular.
Naquela cozinha escura e apertada, aquele feixe de luz parecia a luz sagrada da vida de Chen Xing. Aquela era a primeira declaração de amor que ele havia recebido em toda a sua existência, e, por um instante, ele simplesmente não soube como reagir.
“Está doendo?” Chen Xing perguntou a ele.
Xiang Shu assentiu. Sem ousar acender as luzes, Chen Xing usou o celular como lanterna para estancar o sangramento e aplicar medicamentos nos ferimentos. Quando a luz incidiu sobre o rosto de Xiang Shu, ele estreitou os olhos, incomodado pelo brilho intenso, e seus lábios se moveram levemente.
Chen Xing não conseguiu mais se conter, e tomou a iniciativa de beijar os lábios de Xiang Shu.
Desta vez, Xiang Shu o abraçou e o puxou para perto. Chen Xing deixou o celular de lado, e os dois começaram a se beijar com uma intensidade desenfreada na escuridão — o cheiro de sangue fresco se misturava à fragrância de erva-doce, frutas cítricas e âmbar que pairava no ar.
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
No meio da noite, a ópera voltou a soar no beco:
“Você sabe o que é o amor?”
“Você consegue entender como me sinto? Você consegue entender como me sinto?”
“Quero te contar tudo…”
“Essa sensação nova e estranha, eu também não sei explicar⁹!…”
Xiang Shu apoiou o braço no ombro de Chen Xing, que o carregou meio apoiando, meio abraçando, e o levou de volta ao seu dormitório. Lá, ele retirou a camisa branca e as calças de Xiang Shu e limpou o corpo dele. Os ferimentos de Xiang Shu eram muito mais graves do que ele havia deixado transparecer — na tarde daquele mesmo dia, ele sofreu uma emboscada armada por um grupo de antigos rivais — uma gangue que havia se dissolvido quatro anos atrás, cujos membros tinham fugido para o Oriente Médio para atuar como mercenários.
Quando voltaram para se vingar, Xiang Shu estava sozinho, mas, por sorte, conseguiu escapar com vida.
Ao longo da noite, o telefone tocou diversas vezes; por fim, o som das sirenes da polícia ecoou pelo beco, sinalizando que o incidente foi resolvido.
“Eu achei que você não gostava de mim”, disse Chen Xing.
“Eu dei pistas mais do que claras”, respondeu Xiang Shu.
“E você chama aquilo de dar pista?” Chen Xing empurrou de leve a cabeça dele, rindo. “Você só disse que era o gong!”
Xiang Shu não respondeu; apenas observou Chen Xing em silêncio. Chen Xing, ajoelhado na cama e vestindo pijama, começou a golpeá-lo com um travesseiro. Xiang Shu ergueu as mãos imediatamente para se defender, dizendo: “Minha costela tá fraturada, pare com isso!”
“Então não fica se mexendo”, disse Chen Xing. “Vai dormir. Vou dormir no sofá.”
“Por que tanta timidez?” Xiang Shu provocou. “Vamos dormir juntos; afinal, você já tem idade para estar num doutorado.”
O rosto de Chen Xing ficou vermelho. Ele não tinha coragem de dividir a cama com Xiang Shu; tudo parecia estar acontecendo rápido demais. Ainda assim, em uma noite como aquela — naquele lugar, sob aquele luar —, parecia que a única coisa certa a fazer era aproveitar ao máximo uma noite tão bela.
“É, sou tímido mesmo!” Chen Xing retrucou. “E além do mais, você tá machucado.”
Xiang Shu disse: “Vem cá.”
Chen Xing pegou seu travesseiro e seu edredom e seguiu em direção à sala, respondendo: “Não.”
Xiang Shu: “Vem cá!”
Chen Xing queria insistir em ficar no sofá, mas Xiang Shu acrescentou: “Não vou te tocar, vamos apenas dormir juntos.”
“Na verdade, você poderia me tocar um pouco, se quisesse”, disse Chen Xing. Ele se deitou do lado esquerdo de Xiang Shu, que estendeu o braço esquerdo, para que ele usasse como travesseiro.
Meu Deus! Que tratamento dos sonhos era aquele?! Chen Xing tinha certeza de que seria impossível cair no sono — mas, por volta da meia-noite, sem sequer ter aproveitado o momento como gostaria, ele acabou adormecendo.
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
No dia seguinte, ao acordar, Chen Xing viu que a cama estava completamente vazia. Xiang Shu já havia ido embora!
Será que ele estava só brincando comigo? O coração de Chen Xing despencou em um abismo — mas de repente ele notou que sobre o travesseiro havia uma rosa desabrochada, vinda não se sabia de onde, e voltou a ficar feliz.
“Alessandro!”
Ao procurar pela casa e não encontrar nenhum sinal de Xiang Shu, o ânimo de Chen Xing voltou a cair fundo no poço. Afinal, será que isso significava que eles tinham terminado antes mesmo de começar?
Eu devia ter experimentado ontem à noite! Ainda sou virgem, aaah! Chen Xing sentiu-se completamente arrasado. Ao pegar o celular, descobriu um pedacinho de papel escondido embaixo dele.
Nele, estavam anotados o número de telefone de Xiang Shu, seu endereço residencial e instruções de como adicioná-lo em um aplicativo de mensagens.
E, logo abaixo, uma última linha manuscrita:
【Preciso cuidar de alguns assuntos pendentes de ontem à noite. Vejo você hoje no lugar de sempre.】
O ânimo de Chen Xing voltou a brilhar. Ele deu duas voltas pelo quarto, cantando:
“Você sabe o que é o amor?”
“Você pode entender o meu sentimento? Você pode entender o meu sentimento?”
“Quero te contar tudo…”
“Essa sensação nova e estranha, eu também não sei explicar!”
Chen Xing adicionou Xiang Shu no aplicativo de mensagens, sem saber como começar a conversa, mas foi Xiang Shu quem mandou várias mensagens de uma vez:
【Acordou?】
【Já tomou café da manhã?】
【Voltei para a empresa, tenho umas coisas para resolver.】
Em seguida veio uma foto do próprio Xiang Shu, quase totalmente nu, para mostrar os ferimentos a Chen Xing. A maior parte já havia cicatrizado, embora ainda exibisse vários curativos refeitos pelo corpo, conferindo-lhe o ar inconfundível de uma “beleza marcada por batalhas”.
Enquanto Chen Xing ainda aparecia como “digitando…”, surgiu outra mensagem de Xiang Shu:
【À tarde eu vou te buscar. Vamos sair para um encontro.】
Chen Xing: “Ahhh——”
Recuperando a compostura, Chen Xing respondeu: 【Tá bom, estarei te esperando.】
À tarde, assim que Chen Xing abriu a loja, Xiang Shu apareceu. Hoje ele vestia um agasalho esportivo e trazia um curativo colado no rosto. Chen Xing ainda estava separando os ingredientes; olhou para ele de relance, com um sorriso nos olhos.
Sem dizer uma palavra, Xiang Shu aproximou-se e começou a ajudar a limpar o balcão.
“Que tal se eu comprasse esta loja para você?” Xiang Shu sugeriu.
“Na verdade, eu nem quero ter uma loja de petiscos marinados, hahahaha!” Chen Xing caiu na gargalhada. “É só um trabalho de meio período para ganhar um dinheirinho para as minhas despesas!”
“Ah, entendo”, respondeu Xiang Shu. “Como quiser.”
“Veja só”, disse Chen Xing, “na verdade, nós nem nos conhecemos direito.”
“Isso não importa”, respondeu Xiang Shu. “O que importa é o que se sente.”
O coração de Chen Xing disparou. Ele observou Xiang Shu segui-lo até a cozinha; recostando-se em uma bancada de aço inoxidável, Chen Xing fitou-o com atenção.
“O que vamos fazer hoje?” Xiang Shu perguntou. “Amassar a massa?”
Chen Xing não respondeu. Tinha a nítida impressão de que Xiang Shu estava com segundas intenções; os dois foram se aproximando cada vez mais, até que Chen Xing não conseguiu mais se conter: passou os braços em volta do pescoço de Xiang Shu e começou a beijá-lo.
༄˖°.🍂.ೃ࿔*:・
Ao entardecer, Xiang Shu estava atrás do balcão do caixa. Antes mesmo de o sol se pôr, todos os petiscos já tinham sido vendidos.
Chen Xing tirou os doces do forno, embalou-os numa caixa com cuidado e entrou no carro de Xiang Shu.
“Para onde vamos?” Chen Xing perguntou.
“Para um encontro”, respondeu Xiang Shu. “Para aprofundar o relacionamento. Quanto mais rápido a barra de progresso encher, mais cedo posso te pedir em casamento.”
Chen Xing: “……”
“É por morar muito tempo em Roma que você ficou tão bom de lábia?” Chen Xing perguntou.
“Sempre fui assim”, respondeu Xiang Shu.
Ele dirigiu o carro até a margem do rio; atrás deles, o sol poente banhava toda a cidade com seu brilho, enquanto, à frente, uma lua cheia brilhava com o mesmo esplendor do crepúsculo.
“O que você trouxe para mim?” Xiang Shu perguntou.
“Bolo da lua”, disse Chen Xing. “Eu mesmo os fiz ontem. Vamos dividir.”
A lua cheia subia lentamente, sua luz prateada banhando Roma — uma lua perfeita que brilhava através do tempo, sobre terras distantes e incontáveis pessoas.
—— Fim do Capítulo Dinghai ——
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Notas:
1 维多里奥广场 (Wéiduōlǐ'ào Guǎngchǎng): Refere-se à famosa Piazza Vittorio (Piazza Vittorio Emanuele II), uma praça emblemática no centro de Roma conhecida por sua diversidade cultural e mercados.
2 卤菜 (lǔcài): Pratos tradicionais chineses cozidos/marinados em um molho aromático à base de molho de soja e especiarias (frequentemente servidos como petiscos ou acompanhamentos)
3 小红书 (Xiǎohóngshū): A famosa plataforma chinesa RED / Little Red Book, que funciona de forma similar ao Instagram/Pinterest.
4 意男 (Yì nán): Abreviação para 意大利男人 (Yìdàlì nánrén), ou seja, homens italianos / italianos.
5 魔笛 (Módí): Refere-se à famosa ópera de Wolfgang Amadeus Mozart, A Flauta Mágica (Die Zauberflöte).
6 墩子活 (dūnzi huó): Termo do meio culinário chinês que se refere ao trabalho do assistente de cozinha encarregado do picadeiro/tábua de corte (limpar, cortar, picar e fatiar os ingredientes antes do cozimento).
7 Referência à famosa ópera de Giacomo Puccini. Mais aqui E pra quem leu Tianbao é a nossa diva, esposa do A-Tai XD
8 Os versos citados são trechos poéticos da famosa ária Nessun dorma, da ópera Turandokht, referência anterior.
9 Esses versos são da ária “Voi che sapete”, da ópera As Bodas de Fígaro, de Mozart.
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Flor: Xiang Shu marcando território com seu perfume rs
Tive um pouquinho de pena do Xiao Shan rs
Confesso que já tava com saudade deles >.<
Até mais!
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