sexta-feira, 10 de abril de 2026

[Novel] Dinghai Fusheng Lu - Capítulo 131

 


Capítulo 131 - Celebrando o Festival




Um shichen depois, numa tarde de verão, uma brisa suave atravessava o corredor do Departamento de Exorcismo. Chen Xing finalmente se sentiu um pouco mais fresco. As sombras das árvores salpicaram o chão, e os sinos de vento tilintavam suavemente.


Xiang Shu, Chen Xing e Xiao Shan — os três estavam sentados sob a varanda, cada um com a parte superior nua e vestindo as mesmas calças finas brancas. Xiang Shu estava inexpressivo, enquanto Chen Xing parecia ter perdido toda a vontade de viver. Os três, dois grandes e um pequeno, bebiam suco de ameixa azeda¹.


“Você cresceu bastante”, disse Chen Xing. Não tinha tido muito tempo para conversar com Xiao Shan desde que vira o menino novamente.


A altura de Xiao Shan havia disparado em comparação quando deixou Chi Le Chuan para ir a Dunhuang² um ano atrás; quando retornou, já alcançava as orelhas de Chen Xing.


“Ah, eu ainda vou crescer mais”, disse Xiao Shan, parecendo um pouco distraído. Ele deu um gole em seu suco de ameixa azeda e perguntou: “O que vocês estão fazendo? Cultivando?”


Xiang Shu estalou os dedos e uma pequena chama dourada, da mesma origem que a Lâmpada do Coração, surgiu tremeluzindo entre eles.


Xiao Shan: “Ah!”


Xiang Shu gesticulou para que Xiao Shan observasse e, com um movimento rápido do pulso, fez surgir um escudo. Ele executou alguns movimentos elaborados e, desta vez, não precisava mais que Chen Xing invocasse a Lâmpada do Coração para se transformar no Deus Marcial Protetor. No entanto, sua magia ainda não era tão forte.


Chen Xing também ficou muito surpreso. Seria este o benefício de inflamarem juntos?


Xiao Shan perguntou: “Como você fez isso?”


“Vá arrumar um exorcista para você”, respondeu Xiang Shu. Ele terminou seu suco de ameixa, pousou a tigela e, sem dar mais atenção a Xiao Shan, levantou-se para sair. De repente, lembrou-se de algo e explicou a Chen Xing: “Agora que o ato de inflamar juntos começou, só poderemos praticar o cultivo duplo duas vezes* por mês. Fora isso, é necessário manter a abstinência.”


(n/t: no original é dois dias por mês, vocês entenderam)


“O quê?!” Chen Xing ficou perplexo e perguntou: “Por quanto tempo?”


“Doze meses”, disse Xiang Shu. “Você consegue aguentar?”


Chen Xing gaguejou: “Se você… se você consegue, então eu também consigo.”


“Então vamos começar”, disse Xiang Shu.


“O que é cultivo duplo?” Xiao Shan perguntou novamente, confuso.


“Hum… não pergunte”, disse Chen Xing, “você vai saber quando crescer.”


Xiao Shan disse: “Eu já cresci.”


Chen Xing, já perdendo a paciência, respondeu: “Mas eu não tenho como demonstrar para você! Por acaso quer que eu deixe você entrar para assistir?!”


Xiang Shu estava deixando a varanda e se preparava para voltar, quando Wen Che surgiu de repente em seu caminho.


“Funcionou?” Wen Che perguntou calmamente.


Xiang Shu não respondeu. Ele não conseguia evitar tratar Wen Che como se fosse uma dama, mantendo sempre uma expressão séria e reservada, mas Wen Che conseguiu ler a resposta em seu rosto.


“Você está tão preocupado assim com a forma como as gerações mais jovens cultivam?” Xiang Shu perguntou.


Wen Che respondeu: “A curiosidade reside no coração de todos. Deixe-me ver o seu escudo.”


Xiang Shu moveu o pulso e, dele, surgiu aquele escudo que ele obteve em Karakorum.


Wen Che colocou a mão estendida sobre a lateral do escudo enquanto o examinava com admiração.


Xiang Shu já havia consultado todos os registros antigos, mas ainda desconhecia sua origem. Ele disse: “Você o reconhece?”


“Claro que sim.” Wen Che respondeu antes de afrouxar o aperto. Com um sorriso nos olhos, ele desviou o olhar para Xiang Shu antes de bufar suavemente. “Isso já foi meu.”


Xiang Shu olhou para Wen Che com incredulidade. Wen Che parecia ter mergulhado em suas memórias e disse calmamente: “Ele não tem um nome. Alguns o chamam de ‘Escudo do Deus Marcial’ ou "Colapso do Céu". Diz a lenda que, quando o Monte Buzhou desmoronou, um antigo deus usou este escudo para amortecer o golpe de um dos pilares do céu³ que caiu após se partir. Também pertenceu a Xuanyan, à Rainha Mãe Xin, a Fu Hao⁴, ao Príncipe Wucheng, a Huang Feihu⁵, a Qin Huali-daren⁷, a Meng Ao-daren⁷ e ao seu filho…”


Xiang Shu: “……”


“Também pertenceu a Han Xin⁸ e a Ying Bu⁹”, disse Wen Che em voz baixa. “Após a morte do Shifu, Yuanping e eu competimos ferozmente pelos postos de Grande Exorcista e de Deus Marcial Protetor, e este escudo me reconheceu na época. Dentro do Departamento de Exorcismo, houve outra pessoa que também foi seu dono. Ver este escudo equivale a ver o próprio Deus Marcial, e empunhá-lo significa que se deve carregar o fardo da responsabilidade de proteger o mundo.”


Xiang Shu: “No entanto, você abriu mão dele depois.”


“Correto.” Wen Che virou-se; metade de seu rosto estava iluminado pela luz do sol, realçando seu perfil refinado, enquanto ele contemplava o céu. Suspirou antes de continuar: “Isso foi há muito, muito tempo… Mais tarde, ouvi dizer que, após seu ataque surpresa em Longcheng, Wei Qing, que havia se tornado o Deus Marcial, deixou o escudo em Karakorum. Ele o usou para suprimir a veia terrestre, a fim de apaziguar o ressentimento das almas do povo Xiongnu de Saiwai, que ele havia dizimado.”


Xiang Shu guardou o escudo e perguntou: “Nesse caso, ele pode ser usado para refinar a nova Lâmina de Acala?”


Após ponderar por um momento, Wen Che respondeu: “Não sei. Não custa tentar, embora você deva entender que, enquanto aqueles que empunham espadas servem como lâminas de dez mil ren¹⁰, cuja prioridade absoluta é exterminar o inimigo, as pessoas com escudos agem como os protetores do mundo; a responsabilidade delas é guardá-lo. Creio que as convicções que esses dois compartilham são diferentes.”


◈ ◈ ◈


Na varanda do pátio.


Chen Xing acariciou a cabeça de Xiao Shan. As laterais estavam raspadas com capricho, embora o cabelo preto e espesso na testa e no topo da cabeça do jovem ainda permanecessem. Eles estavam presos em tranças niumang reunidas na parte de trás da cabeça, no mesmo penteado que Xiang Shu usava na época em que ainda servia como o Grande Chanyu. Embora parecesse bem fresco para esses dias de verão, quando combinado com as vestimentas do povo Jin, o visual ainda parecia um pouco fora de lugar.


“O que você queria conversar?” Chen Xing sondou. Ele sentia que Xiao Shan havia amadurecido muito em seu íntimo; não era mais aquele garoto meio crescido de antigamente.


Após o reencontro deles, Chen Xing chegou a perguntar sobre o que havia acontecido em Shazhou, em Dunhuang, mas Xiao Shan apenas balançou a cabeça em silêncio. Tuoba Yan também o questionou apenas para terminar com o mesmo resultado.


Isso chegou a deixar Chen Xing preocupado por um bom tempo, até que Xiang Shu lhe disse: “Se ele não quer falar, não pergunte.”


Já que Xiao Shan não disse nada, Chen Xing o respeitou e não insistiu mais no assunto. Ao menos, o seu retorno indicava um resultado definitivo — Lu Ying não voltaria mais.


“Chen Xing, eu sou Canglang?” Xiao Shan perguntou.


Chen Xing pensou por um momento e respondeu: “Você sente que é?”


Xiao Shan não respondeu, e Chen Xing comentou com emoção: “Você não é ninguém além de você mesmo. Assim como Sima Wei, o Rei Fantasma e os outros.”


Chen Xing sabia que Xiao Shan, desde aquele incidente com Sima Wei, devia ter começado a duvidar de sua identidade. Canglang havia dado seu poder yao a Xiao Shan, assim como Zhuyin deu seu poder de dragão a Xiang Shu; contudo, em todos os anos em que se conheceram, Chen Xing jamais parou para pensar sobre “quem” Xiang Shu poderia ser. Para ele, Xiang Shu era apenas Xiang Shu.


“Você tem razão”, disse Xiao Shan. “Quando vamos lutar contra Chiyou? Depois da luta, eu ainda preciso ir para mais longe, no oeste, para encontrar Lu Ying.”


“Deve ser logo”, disse Chen Xing, pensativo. “Desta vez, ao menos, as coisas estão melhores do que há três anos, não? Pelo menos você sabe que Lu Ying ainda existe.”


Trovões abafados ecoaram em sequência, um relâmpago cruzou o céu e começou a chover.


◈ ◈ ◈


A chuva caiu torrencialmente e, da noite para o dia, o tempo esfriou. Na noite do primeiro dia de outono, Xie An e Chen Xing montaram um altar na plataforma de observação estelar do palácio imperial para realizar o ritual. Com a queda da temperatura, todos adicionaram mais camadas às suas roupas.


“Vamos tentar esta noite.” Xie An entregou o Jingguang Liuli a Chen Xing. A lua brilhante havia se escondido, deixando apenas inúmeras estrelas no céu. Por ordem do Imperador, todas as luzes de Jiankang deveriam ser apagadas; o palácio estava mergulhado na escuridão, e os oficiais e concubinas foram ao pátio, um após o outro, para observar o céu noturno.


Sima Yao, acompanhado por Pu Yang, observava Chen Xing lançar o feitiço.


Chen Xing ativou a formação mágica, atraindo o qi espiritual do Céu e da Terra, e ativou o Jingguang Liuli.


Sima Yao perguntou: “Este artefato mágico pode coletar todas as estrelas?”


“Para ser mais preciso, é a luz das estrelas”, respondeu Chen Xing. “Este é o artefato mágico feito pelo Clã Suiren usando o neidan de um tipo de fera yao chamada “Kuiwu”. Ele era usado para preservar a fonte do fogo antes de ser espalhada pela Terra Divina. Durante a vida, esse tipo de yaoguai se alimentava de luzes.”


Xiang Shu levantou a cabeça em direção ao céu noturno e fez um sinal para que Chen Xing começasse. Às vezes, Chen Xing se perguntava: será que Chiyou sabia da maioria das coisas que ele fazia? Talvez já tivesse descoberto que os exorcistas estavam buscando formas de enfrentá-lo. Mas certamente havia muito que ele desconhecia; por exemplo, se tivesse previsto que Xie An estava prestes a lidar com Wang Ziye, não o teria enviado para atacar o Departamento de Exorcismo.


“Vou começar”, disse Chen Xing. “Aconteça o que acontecer a seguir, não entrem em pânico.”


No momento em que Chen Xing ativou o Jingguang Liuli, um espetáculo verdadeiramente magnífico surgiu — as estrelas que preenchiam o firmamento dispararam fios que fluíam diretamente para o pingente, enquanto as luzes de todo o mundo desapareciam sem deixar vestígios. Ao verem isso, o povo de Jiankang exclamou em surpresa, suas vozes convergindo em sussurros de espanto.


Mas, em meio à escuridão, uma voz sinistra ressoou:


“Moleque ignorante!” rugiu a voz rouca de Chiyou, enquanto as trevas se espalhavam.


Xiang Shu imediatamente ativou o escudo de luz, posicionando-o para proteger Chen Xing. Com um estrondo ensurdecedor, o ressentimento das trevas condensado por Chiyou se dissipou no mesmo instante.


Chen Xing estava prestes a iluminar a escuridão com a Lâmpada do Coração quando as estrelas no céu brilharam mais uma vez.


“Ele sabia, afinal”, disse Chen Xing.


“Não tenham medo dele”, disse Xiang Shu em voz grave.


“O que… o que foi aquilo agora?” Sima Yao perguntou, ainda abalado.


“Respondendo a Vossa Majestade”, disse Pu Yang, “aquele era o Deus das Armas, Chiyou.”


Chen Xing entregou o pingente contendo a luz das estrelas a Xie An. Xie An o examinou e o passou para Xin Yuanping; após todos darem uma olhada, Xie An o guardou e disse: “Muito bem, é viável.”


“O próximo passo é a luz do luar”, disse Wen Che. “Vamos aguardar pela noite do Festival Xiayuan.”


◈ ◈ ◈


No solstício de verão, Xin Yuanping carregou a todos e voou sobre as nuvens para coletar a luz solar. Agora que já possuíam a luz do sol e das estrelas, restava obter a luz da lua no Festival Xiayuan; o passo seguinte seria no solstício de inverno deste ano, quando Xin Yuanping utilizaria a veia terrestre para montar uma formação de aprisionamento de almas que também funcionaria como um dispositivo de separação de almas, na tentativa de desvincular a Lâmpada do Coração do corpo de Chen Xing.


A chuva caiu pesadamente diversas vezes após o início do outono, e o tempo esfriava a cada dia que passava. Xiang Shu recebeu respostas de Dongying e de Chi Le Chuan — os preparativos estavam concluídos. Ocorre que, embora os batedores enviados por Feng Qianjun tivessem procurado por toda parte, ainda não conseguiram localizar o Palácio Huanmo.


Nesse dia, Xiang Shu e Chen Xing foram ao palácio imperial para uma audiência com Sima Yao. Chen Xing, tendo terminado de revisar todas as cláusulas para a reconstrução do Departamento de Exorcismo, formulou regulamentos estabelecendo que os exorcistas não devem se envolver na política nem participar de guerras entre humanos. Contudo, como um dos criadores do Departamento de Exorcismo restabelecido após o Renascimento de Toda a Magia, Xie An era uma exceção a essas regras.


Após a batalha final contra Fu Jian, ele renunciaria ao seu cargo na corte e retornaria ao Departamento de Exorcismo. Ele também prometeu a Chen Xing que, se a guerra eclodisse, faria o possível para evitar o campo de batalha. Tampouco bombardearia as tropas inimigas com magia, a menos que o Exército Qin tivesse demônios da seca em suas fileiras.


Ao mesmo tempo, chegaram notícias das Planícies Centrais: Fu Jian estava se preparando para entrar em guerra, embora não fosse contra o Sul.


Seu primeiro alvo era Murong Chong.


Depois de deixar Chi Le Chuan, Murong Chong havia estabelecido um regime independente em Luoyang e Pingyang. Embora não tivesse se rebelado contra Fu Jian, também não obedecia mais às ordens do Grande Qin, claramente apenas mantendo as aparências.


“Quantos homens ele enviou?” Chen Xing perguntou. “Há demônios da seca?”


“De acordo com as informações que recebemos, não”, disse Xie An. “A questão agora é: nós lutamos ou não?”


Depois de obter a promessa, Chen Xing deu uma explicação a Sima Yao. Sima Yao, ao contrário do que se poderia esperar, era na verdade um homem razoável; ele assentiu com satisfação e aceitou os princípios de Chen Xing. De qualquer forma, já que o Departamento de Exorcismo estava em Jiankang, ele não tinha com o que se preocupar, ou seja: “Não me importo se vocês não quiserem participar da guerra, mas se as tropas inimigas realmente invadissem Jiankang, a queda do Grande Jin significaria o massacre dos aristocratas e o fim do sustento do povo. Será possível que o Departamento de Exorcismo ficaria apenas assistindo, de braços cruzados?”


Quando alguém insistia repetidamente que não estava de nenhum lado, isso, por si só, já era um posicionamento. Quanto a isso, Sima Yao sempre preferiu deixar as coisas seguirem seu curso natural.


“Com base no que você está dizendo”, disse Sima Yao, “Chen-xiansheng não deve participar da guerra, pois as tropas enviadas por Fu Jian para atacar Murong Chong não são outras senão as de Murong Chui — todos eles são do povo Xianbei.”


“Sim.” Chen Xing assentiu. “Mesmo que Murong Chong seja meu amigo, não posso enviar exorcistas para ajudá-lo. É claro que, se houver exércitos de demônios da seca nas tropas de Fu Jian, a situação muda de figura.”


Assim, eles chegaram a um acordo: Xie An passaria a monitorar de perto os movimentos de Fu Jian. Assim que aparecesse um demônio da seca, os exorcistas interviriam imediatamente.


Ao deixarem o palácio imperial, os guardas lhes ofereceram begônias de outono, e cada um dos exorcistas aceitou uma flor. Chen Xing lembrou-se de que, na última vez em que estivera ali, ele e Xiang Shu ainda não estavam juntos; sentindo uma onda de ternura invadir seu coração, ele prendeu a flor nas vestes de Xiang Shu.


“Amanhã é o Dia da Divindade do Outono de novo”, disse Chen Xing.


Xiang Shu olhou para a flor e respondeu: “Amanhã é o seu aniversário. E eu não comemoro a Divindade do Outono.”


Chen Xing sorriu e disse: “Eu quase esqueci de novo. Não é como no passado, onde a cada ano, era o equivalente a comemorar um ano a menos de vida.”


Xiang Shu perguntou: “Você ainda vai me acompanhar para celebrar este ano?”


Chen Xing disse: “Isso é óbvio…”


Então, Feng Qianjun chegou e disse: “Tianchi, amanhã é o festival, eu queria te perguntar uma coisa…”


“Não!” Xiang Shu cortou.


Chen Xing respondeu sinceramente: “Não estou livre. Vamos deixar para depois do festival.”


Feng Qianjun disse: “Eu queria convidar vocês dois para apreciar a paisagem de outono! Não estava pensando em te convidar para um encontro a sós!”


“Deixa para depois”, disse Chen Xing, e logo em seguida saiu puxando Xiang Shu dali.


Curiosamente, após terem “inflamado juntos” sua magia naquele dia, o temperamento de Xiang Shu parecia ter melhorado muito. Não apenas ele raramente ficava bravo com Chen Xing agora, como os dois pareciam ter ainda mais “entendimento mútuo” do que antes. Às vezes, as palavras nem chegavam a sair da boca de Xiang Shu — bastava uma leve emoção e Chen Xing já a sentia.


Esse chamado “inflamar juntos” era como ligar seus hun e po. Por exemplo, quando Xiang Shu ocasionalmente olhava para os jovens dentro do Departamento de Exorcismo enquanto caminhavam juntos, Chen Xing inexplicavelmente sentia que ele estava apenas prestando atenção em quem olhava para ele com curiosidade, e estava comendo um pouco de vinagre.


Ou ainda, às vezes Xiang Shu se incomodava com os comentários sobre eles dentro do Departamento, incluindo a curiosidade dos novatos sobre o que o Grande Exorcista e o Protetor faziam normalmente. Além disso, Chen Xing conseguia sentir claramente que, na maioria das vezes em que conversavam, Xiang Shu estava distraído, com um único pensamento: o desejo de puxá-lo em seus braços e beijá-lo, ou quem sabe tocá-lo.


Se fosse antigamente, Chen Xing talvez não conseguisse entender Xiang Shu nem adivinhar o que passava por sua cabeça naquela época, embora, ocasionalmente, ao falarem, Xiang Shu ainda se sentisse infeliz sem motivo aparente. Mas agora que era capaz de sentir, ele percebia que a hostilidade de Xiang Shu, na maioria das vezes, originava-se de querer tomar a iniciativa para se aproximar de Chen Xing, apenas para achar embaraçoso realizar o ato. Como resultado, ele acabava culpando um pouco o fato de “Por que Chen Xing não está tomando nenhuma iniciativa?”, sentindo-se, assim, descontente.


Agora, assim que percebia essa emoção, Chen Xing proativamente estendia a mão e tocava as costas da mão de Xiang Shu. Ele também deixava que Xiang Shu o abraçasse quando não havia ninguém por perto, o que deixava seu coração verdadeiramente radiante de alegria.


Esse era o efeito de “inflamarem juntos”. Chen Xing agora entendia, a grosso modo, porque Xin Yuanping estava ciente dos sentimentos de Wen Che naquele dia.


O detalhe é que esse poder só funcionava em uma via. Em outras palavras, embora Chen Xing estivesse ciente de alguns dos pensamentos de Xiang Shu, este, na maioria das vezes, não sabia o que Chen Xing estava pensando.


Por exemplo, exatamente como agora — após retornarem para o quarto dentro do Departamento de Exorcismo, Xiang Shu disse: “Sim, você realmente gosta de agitação.”


Chen Xing imediatamente percebeu que Xiang Shu estava um pouco descontente, pois o que ele queria era passar um tempo a sós com Chen Xing no Dia da Divindade do Outono, sem ser perturbado por mais ninguém.


“Eu quero passar o dia sozinho com você”, Chen Xing sorriu. Ele se moveu para trás de Xiang Shu e o abraçou pela cintura.


A infelicidade de Xiang Shu evaporou imediatamente de sua mente. Ele se virou nos braços de Chen Xing antes de pressioná-lo contra o sofá, olhando-o de cima.


“Então você escolhe”, disse Xiang Shu, encarando Chen Xing com um olhar carregado de significado. “Quer dar um passeio ou ouvir o meu plano?”


Chen Xing envolveu os braços no pescoço de Xiang Shu e o beijou apaixonadamente. Os dois homens se beijaram até ficarem sem fôlego. Chen Xing disse: “É claro que vou ouvir o seu… plano.”


Xiang Shu soltou Chen Xing de repente e disse: “Eu não aguento mais. Vamos nos separar um pouco.”


Para praticar a técnica de "inflamarem juntos", eles tinham que seguir regras rígidas, sendo uma delas a proibição total de qualquer contato íntimo, exceto para fins de prática. Eles só realizavam o cultivo duplo no primeiro e no décimo quinto dia de cada mês, e precisavam praticar por um ano inteiro para completar o ciclo de doze meses. Na primeira vez que soube disso, Chen Xing quase enlouqueceu instantaneamente. O quê? Só podemos fazer isso duas vezes por mês?!


Já Xiang Shu passou por um grande conflito interno antes de aceitar essa condição. Afinal, eles só precisavam perseverar por um ano, e não era como se estivessem completamente proibidos; eles tinham duas vezes por mês, e isso, por si só, já era uma benção.


Para Chen Xing, aceitar a situação foi uma experiência muito agradável. Viver como o povo Hu e se entregar aos prazeres como animais por três meses era, sem dúvida, muito satisfatório, mas era apropriado conter os desejos ao viver em Jiankang. Tratar os outros com sentimentos genuínos tinha seu próprio tipo de prazer.


De modo geral, tudo era assim: quanto mais se tem algo, mais difícil é para as pessoas valorizarem. Depois de começar a cultivar a técnica de “inflamar juntos”, Chen Xing sentia apenas que aquele amor intenso não encontrava uma saída, e tudo se transformava em expressar sua admiração por Xiang Shu. Depois que Xiang Shu começou a se conter, havia apenas Chen Xing em seus olhos. Afinal, já que ele não era capaz de “resolver” a situação todos os dias, eles só podiam conversar enquanto se abraçavam, como na noite em que declararam seu amor pela primeira vez.


Xiang Shu apenas ficava grudado nele na maior parte do tempo. Os dois queriam apenas conversar sobre trivialidades, mas, no meio da fala, Chen Xing acabava rindo ao perceber que, embora Xiang Shu estivesse olhando em seus olhos, a mente dele estava repleta daqueles pensamentos — ele parecia exatamente uma fera selvagem que se restringia deliberadamente.


“Vou tomar um banho”, sussurrou Xiang Shu. “Aguente firme esta noite. Estaremos bem amanhã.”


Chen Xing ouviu o som da água fria que Xiang Shu jogava sobre si mesmo no pátio. Estaremos bem amanhã. Preciso me controlar a todo custo esta noite.


◈ ◈ ◈


No dia seguinte, o interior do Departamento de Exorcismo estava decorado com folhas de bordo flamejantes. Ao acordar cedo de manhã, Chen Xing ouviu uma agitação vindo de fora.


Depois de trocar de roupa e lavar o rosto, ele foi ao pátio e viu que Xiang Shu estava penteando a crina de um cavalo. Agora, bastava Chen Xing pôr os olhos em Xiang Shu para sentir uma vontade louca de se atirar sobre ele e arrancar suas roupas.


Xiang Shu lançou um olhar para Chen Xing, e este soube, no mesmo instante, que ele também estava prestes a perder o controle.


“Eu… acordei”, disse Chen Xing. Ele achou um pouco estranho; porque Xiang Shu não o despertara com um beijo, como nas últimas vezes, usando esse gesto para dar início ao dia?


“Vamos?” Xiang Shu disse. “Vamos descer a montanha para passear. Não precisa trocar de roupa.”


“Tá bom”, Chen Xing assentiu com alegria. Os dois estavam vestidos hoje com combinações de gaze em tons de azul-celeste, branco e preto. Xiang Shu usava as calças brancas largas como de costume; era óbvio que o objetivo era poder tirá-las com facilidade, com a parte da cintura amarrada em seus quadris por um nó corrediço. Na parte superior do corpo, ele vestia um manto preto semitransparente, preso de forma casual, que deixava metade do seu peito e a clavícula à mostra. Chen Xing, por outro lado, usava roupas de gaze sem forro com calças de linho semelhantes, presas nos tornozelos.


Ambos calçavam chinelos leves de couro. Xiang Shu primeiro pediu que Chen Xing subisse no cavalo antes de ele mesmo se sentar atrás, segurando-o. A mínima peça de roupa que os separava fazia com que Chen Xing pudesse sentir até mesmo a temperatura vindo do peito de Xiang Shu.


Após meio mês de abstinência, ser abraçado dessa forma fez com que Chen Xing não evitasse que seu coração palpitasse. Xiang Shu, no entanto, levou-o com muita firmeza por todo o caminho descendo a Montanha Oriental a cavalo. A feira já estava lotada de pessoas apreciando as folhas de bordo e bebendo vinho.


“Está exatamente igual à última vez em que viemos”, comentou Chen Xing, sorrindo.


Xiang Shu amarrou o cavalo à beira da estrada e segurou a mão de Chen Xing, entrelaçando seus dedos aos dele. Enquanto o conduzia para dentro do mercado, disse: “Vou te levar a um lugar.”


Chen Xing viu muitos homens e mulheres indo e vindo pelo caminho, de mãos dadas, com fios vermelhos de concha lunar amarrados nos pulsos.


Xiang Shu também viu. Lançou um olhar de reprovação para Chen Xing.


Chen Xing: “?”


O humor atual de Xiang Shu era muito complicado. Embora Chen Xing fosse incapaz de discerni-lo através da conexão obtida pelo ato de “inflamarem juntos”, ele apenas sentia que a emoção era bastante estranha.


“No que você está pensando?” Chen Xing perguntou.


Xiang Shu não respondeu. Chen Xing brincou: “Por que ficou mudo de repente?”


Ao mencionar a palavra “mudo”, Chen Xing subitamente recordou: “Você quer me dar alguma coisa?”


“O que mais você sabe fazer além de provocar o mudo?” Xiang Shu finalmente se pronunciou. Chen Xing finalmente percebeu que era exatamente isso que ele usava há muito tempo para sondar Xiang Shu.


Quando os dois chegaram em frente à barraca, o vendedor disse, sorrindo: “Olá! Vocês dois estão aqui de novo! Hein? Por que eu disse ‘de novo’?”


Chen Xing caiu na gargalhada na mesma hora, enquanto Xiang Shu apenas disse, sem hesitar: “Vou levar dois. Pegue isto, fique com o troco.”


Xiang Shu deu ao mascate um lingote de ouro, o que quase fez o homem desmaiar no ato. Temendo que Xiang Shu voltasse atrás em sua promessa, o vendedor entregou a prateleira inteira para ele e disse: “É tudo seu!” antes de fugir prontamente com o ouro, radiante de alegria.


Xiang Shu: “Escolha você.”


Chen Xing perguntou: “Quais foram os dois que escolhemos da última vez?”


Xiang Shu franziu as sobrancelhas, olhando para o lado. Cada concha lunar tinha sua própria forma única, e Chen Xing apenas queria encontrar aquele pelo qual havia se encantado no Dia da Divindade do Outono anterior, como uma forma de realizar seu antigo desejo, mas ele já não se lembrava bem de quais eram.


Finalmente, Xiang Shu não aguentou mais vê-lo hesitar e apontou: “Esta, e esta.”


Enquanto dizia isso, ele pescou com precisão dois cordões entre centenas de pulseiras de conchas da lua. Ele os estendeu em suas palmas largas antes de sinalizar para que Chen Xing desse uma olhada.


“Sério? Por que eu me lembro de ser este aqui?” Dizendo isso, Chen Xing pegou outro e o comparou com os que estavam na mão de Xiang Shu.


Xiang Shu finalmente explodiu de raiva, dizendo: “Você…”


“É meu aniversário!” Chen Xing disse. “Você vai me dar bronca logo no meu aniversário?”


Xiang Shu ficou sem escolha a não ser suprimir sua raiva à força. Ele controlou o temperamento e disse pacientemente: “Por incontáveis vezes, todas as noites, eu olhei para esta pulseira repetidamente. Como eu poderia reconhecer o fio errado?”


No mesmo instante, Chen Xing foi tomado por uma emoção indescritível. Segurando as quatro pulseiras, ele quase desatou a chorar ali mesmo; subitamente, abraçou Xiang Shu, escondendo o rosto em seu peito, incapaz de dizer uma única palavra.


Xiang Shu se sentiu um pouco perdido naquele momento e disse: “Está bem, tanto faz!”


Ambos sentiam que estavam quase incapazes de se controlar após nada menos que meio mês, e Xiang Shu tinha um semblante que indicava que ele já estava perdendo a racionalidade rapidamente. Se não fosse pelo fato de ser plena luz do dia e de estarem em uma feira, algo certamente teria acontecido ali mesmo.


“É essa aqui, tenho certeza.” Chen Xing também reconheceu a que carregava antes; havia um arranhão superficial em sua superfície.


Então, Xiang Shu jogou uma das pulseiras para Chen Xing; Ele guardou o outro antes de se virar e começar a caminhar.


“Ei, espera aí!” Chen Xing disse. “Você não vai me dar este?”


“Por quê?” Xiang Shu perguntou, parecendo confuso. “Me dê um bom motivo.”


“Você não me ama?” Chen Xing parou de caminhar e abriu um sorriso travesso.


Xiang Shu respondeu seriamente: “Vai. Depender. Do. Seu. Comportamento. Vamos logo!”


Chen Xing não teve escolha a não ser seguir Xiang Shu. No entanto, em vez de lhe entregar a pulseira, Xiang Shu o levou direto para a frente de uma casa. Ele segurou a aldrava e bateu algumas vezes.


Chen Xing: “Onde é isso agora?”


Xiang Shu: “Abram a porta!”


Ninguém respondeu lá dentro, então Xiang Shu simplesmente empurrou a porta e entrou. Chen Xing pensou: Você está realmente educado desta vez. Pelo temperamento habitual de Xiang Shu, alguém marcar um compromisso com ele apenas para não atender às suas batidas e perder o horário marcado significaria que não respeitavam Xiang Shu de jeito nenhum. Só haveria um desfecho para isso: Xiang Shu arrombando a porta com um chute.


“Surpreendentemente, você não chutou a porta”, comentou Chen Xing.


“Porque esta é a porta da minha própria casa. Se eu a chutasse, não seria eu mesmo quem teria que consertá-la?” Xiang Shu disse.


“O quê?” Chen Xing ficou surpreso.


Xiang Shu pretendia mostrar a Chen Xing a residência que ele comprou para ele. Ele apenas não esperava que todos os trabalhadores tivessem saído para se divertir no Dia da Divindade do Outono. A nova residência já havia sido organizada em sua maior parte, e a pérgula para as glicínias já havia sido instalada.


“Uaaaaaaaaaaau!” Chen Xing nunca sonhou que Xiang Shu o surpreenderia com uma casa!


Este lugar era muito espaçoso; tratava-se da antiga residência de um mercador de sal de Jiankang. Xiang Shu havia gasto uma fortuna para comprá-la, sem mencionar que ele também comprou as residências ao longo das margens do Rio Huai para expandi-la.


Vários edifícios estavam interligados no que parecia ser uma longa faixa e, separada pelo rio à distância, ficava a Alameda Wuyi. Do terceiro andar, era possível ver os jardins das famílias Xie e Wang.


O quintal era um jardim imenso que se conectava diretamente ao Rio Huai; a pérgula de glicínias foi instalada ao longo da margem, estendendo-se desde a entrada até o fim da propriedade por quase um li de comprimento!


“Elas ainda não cresceram”, Xiang Shu olhou para cima. “Outro dia vou mandar o Feng Qianjun vir aqui dar um jeito nisso.”


“A época de floração das glicínias já passou”, disse Chen Xing, sentindo-se inexplicavelmente comovido. “Mas mesmo assim é lindo; fica muito bonito no outono.”


As trepadeiras caíram no outono e seu crescimento não podia ser considerado bom, mas uma pérgula que se estendia por quase um li de frente para o Rio Huai, era uma visão verdadeiramente espetacular!


“Hum”, respondeu Xiang Shu com indiferença. “Contanto que você goste, está bom.”


Uma mansão daquelas era, na verdade, um desperdício para apenas duas pessoas; havia uma sala de qin, uma sala de chá, um escritório imenso, bem como um quarto com vista para o rio, decorado com cortinas de gaze.


O problema era que nenhum dos cômodos estava devidamente mobiliado: a pintura das paredes ainda não fora finalizada, escadas estavam jogadas de qualquer jeito e a cama ainda não havia sido entregue. Xiang Shu, percebendo o erro de cálculo, disse irritado: “Não imaginei que os artesãos fossem tão preguiçosos. Fiquei meio mês sem supervisioná-los e pensei que já estaria tudo pronto.”


Só então Chen Xing entendeu: Xiang Shu queria trazê-lo para a casa nova hoje para se divertirem e fazerem “aquilo” no quarto. Ele não conteve o riso e provocou: “Antes, você era o Grande Chanyu; quando dava uma ordem, seus subordinados corriam para cumprir, quem ousaria atrasar? Agora que mudou de status e se tornou um grande senhor de terras, os trabalhadores obviamente vão enrolar o máximo que puderem para ganhar somas maiores de salário.”


Xiang Shu ficou furioso. Ele olhou para Chen Xing, que segurou sua mão e disse: “Não tenho medo de me sujar; Pode ser aqui mesmo.”


Xiang Shu permaneceu em silêncio, baixando o olhar para encontrar o de Chen Xing. O vento do rio soprou, fazendo as cortinas de gaze flutuarem; embora o cômodo estivesse uma bagunça inacabada, o ar trazia a fragrância do outono, conferindo ao ambiente um ar extremamente romântico.


Xiang Shu tirou a pulseira de concha e a entregou a Chen Xing.


“Ouvi dizer que vocês, Han, usam isso como um símbolo de amor”, respondeu Xiang Shu. “O mudo não pode falar; então, isto é para você.”


Chen Xing levantou a mão, seu rosto ficando vermelho como brasa. Xiang Shu amarrou a pulseira no pulso dele e ficou ali, esperando em silêncio.


Naquele momento, Chen Xing percebeu que Xiang Shu estava um pouco nervoso enquanto esperava.


“Por que você está nervoso?” Chen Xing achou graça. “Está com medo de que eu não te dê a minha?”


“Não sei”, respondeu Xiang Shu sinceramente. “Tenho medo de te perder.”


Chen Xing pegou seu próprio fio vermelho e olhou para Xiang Shu. Quando Xiang Shu estendeu a mão, Chen Xing olhou para cima, ficou levemente na ponta dos pés e lhe deu um beijo nos lábios.


“Espere!” Xiang Shu o interrompeu imediatamente. “Não aqui… O que você está fazendo? Não comece com suas travessuras!”


“Vamos voltar para o Departamento de Exorcismo?” Chen Xing estava com o coração disparado de nervosismo e uma pontinha de expectativa. “Vamos?”


“Sair desse jeito?!” Xiang Shu perguntou, incrédulo.


“Senão o quê?” Chen Xing disse. “Quer que eu tire? Se eu tirar, não vou amarrar de novo depois.”


Xiang Shu foi puxado pela mão por Chen Xing e deixou sua nova residência. Chen Xing, de forma travessa e deliberada, fez questão de guiá-lo por entre a multidão. Xiang Shu estava visivelmente desconfortável, caminhando sempre um passo atrás de Chen Xing; ele baixou o olhar por um instante e pensou: Isso não é bom.


“Seu rosto está tão vermelho”, disse Chen Xing.


“Bobagem”, respondeu Xiang Shu, em tom baixo e ameaçador.


Caminhar em meio ao mercado movimentado usando a pulseira do símbolo de amor daquela maneira deixou Xiang Shu completamente vermelho, do rosto até o pescoço. De tempos em tempos, ele ajustava sua veste leve; enquanto caminhavam contra o vento, as mangas largas e o manto esvoaçante ofereciam algum disfarce, tornando a situação um pouco menos óbvia.


Essa caminhada foi praticamente uma experiência inesquecível para o resto da vida de Xiang Shu. Ele fez o melhor que pôde para fingir que nada estava acontecendo, apertando a mão de Chen Xing, mas a força usada no aperto já traía sua mente. Com muita dificuldade, finalmente chegaram onde o cavalo estava amarrado; Xiang Shu pisou no estribo, montou em um movimento ágil e finalmente sentiu-se um pouco melhor. Ele estendeu a mão para Chen Xing, dizendo: “Suba logo.”


Chen Xing montou sentando-se à sua frente. Finalmente, a expressão de Xiang Shu voltou ao normal.


“O que é isso me pressionando?” Chen Xing virou-se e perguntou.


“Corte essa conversa fiada. Jia!” Xiang Shu sacudiu as rédeas e eles saíram da cidade pelo portão oeste de Jiankang.


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Notas:


1 酸梅汤 (Suānméitāng): A sopa (ou suco) de ameixa azeda é uma bebida tradicional chinesa muito comum para refrescar o corpo no verão.


2 Caso ainda haja alguma confusão: Dunhuang e Dukhan se referem à mesma cidade em Shazhou (às vezes, a própria cidade é chamada de Shazhou), apenas possui vários nomes.


3 不周山 (Bù zhōushān), na mitologia chinesa, dizia-se que o Monte Buzhou era o pilar que sustentava o céu até que um dia, num acesso de raiva, Gonggong bateu com a cabeça nele, fazendo o céu desabar e exigindo que Nüwa o consertasse.


4 妇好/后母辛 (Fù hǎo/hòumǔ xīn) uma das muitas esposas do Rei Wu Ding da dinastia Shang, que também serviu como general militar e alta sacerdotisa.


5 黄飞虎 (Huángfēihǔ) um personagem de Fengshen Yanyi que desertou após o Rei Zhou causar a morte de sua esposa. Feitian também teve sua própria versão desse homem em Daji; ele e Zixin eram irmãos de infância…


6 禽滑釐 (Qín huá xī) um discípulo direto de Mozi, o filósofo que era mestre em engenharia de defesa e táticas de cerco.


7 蒙骜 (Méng ào) um general famoso do estado de Qin durante o período dos Reinos Combatentes, avô do lendário general Meng Tian.


8 韩信 (Hánxìn) famoso general Han sob o comando de Liu Bang.


9 英布 (Yīng bù) senhor da guerra do início da dinastia Han, que inicialmente apoiou Xiang Yu antes de desertar para o lado de Liu Bang.


10 仞 (Rèn) uma unidade de medida, que havia sido definida como 8 chi, 7 chi, 5 chi, 6 cun ou até mesmo 4 chi, dependendo do período.


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Flor: a tensão sexual desses dois lá nas alturas!


Cair uma faísca, explode tudo!





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